Previa: Manuel Adorni, porta-voz do governo argentino, renunciou após ser acusado de ocultar US$ 500 mil em suas declarações de bens. O caso levanta questões sobre a transparência e a confiança no governo de Javier Milei.
Manuel Adorni, que ocupava o cargo de porta-voz do governo da Argentina, anunciou sua renúncia na última sexta-feira (19) em meio a um escândalo de corrupção. As acusações incluem enriquecimento ilícito e a ocultação de um patrimônio significativo, o que gerou um impacto negativo na imagem do presidente Javier Milei.
Adorni, uma figura central na administração de Milei, admitiu ter escondido US$ 500 mil (aproximadamente R$ 2,6 milhões) em suas declarações de bens. Ele alegou que o valor se referia a economias não declaradas provenientes de investimentos em criptomoedas realizados entre 2014 e 2018. Essa declaração contradiz suas afirmações anteriores ao Congresso argentino, onde negou qualquer tipo de ocultação.
Investigações e Repercussão
O caso está sob investigação da Justiça Federal há cerca de três meses, com suspeitas de que Adorni teria realizado transações imobiliárias superfaturadas. Um dos detalhes intrigantes das investigações é um recibo de compra de itens domésticos que totaliza cerca de US$ 5,6 mil (R$ 28,9 mil).
Em entrevista ao canal de notícias LN+, Adorni reconheceu que cometeu um erro e se comprometeu a regularizar sua situação fiscal, afirmando que pagará todos os impostos e multas devidas. Ele justificou a não declaração do montante como uma tentativa de escapar do que chamou de “velho sistema político” da Argentina, onde a desconfiança em relação ao sistema bancário é alta.
Com 46 anos, Adorni é consultor econômico e professor universitário, tendo trabalhado em diversos meios de comunicação antes de se tornar porta-voz presidencial em 2023. Sua trajetória é marcada por polêmicas e uma retórica agressiva, semelhante à de seu chefe, Javier Milei.
O escândalo envolvendo Adorni teve um efeito direto na popularidade de Milei, que viu sua taxa de aprovação cair para 35%, enquanto a reprovação alcançou 63% no final de abril. A situação levanta preocupações sobre a estabilidade do governo e a confiança pública nas promessas de transparência e combate à corrupção.
Após a renúncia, Adorni será substituído por Adrián Ravier, que assumirá o cargo de novo porta-voz presidencial. A expectativa é que essa mudança ajude a mitigar os danos à imagem do governo, que enfrenta um período turbulento desde a sua posse.











