Previa: A Polícia Federal indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass após a queda de um avião que resultou na morte de 62 pessoas em 2024. As investigações revelaram falhas operacionais e estruturais na companhia aérea.
O trágico acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando o voo PTB-2283, que partiu de Cascavel, no Paraná, em direção ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, caiu em Vinhedo. A investigação da Polícia Federal concluiu que as condições meteorológicas severas e falhas no sistema de degelo da aeronave contribuíram para a tragédia.
Entre os indiciados estão Edson Serra Martins, acusado de falsidade ideológica, e outros como Luciano Alves de Macedo e Marcos Hiroyuki Sato, que responderão por sinistro aéreo com resultado morte. A lista de indiciados inclui ainda Oderlino de Campos Figueiredo e John Major Viana, acusados de atentado contra a segurança do transporte aéreo.
Falhas operacionais e culturais
Os peritos identificaram que a aeronave enfrentou condições climáticas adversas, com alta umidade e formação de gelo. Apesar de equipada com sistema antigelo, foram encontradas falhas em voos anteriores, o que levanta questões sobre a manutenção e operação da companhia.
O relatório da PF também destacou que a tripulação não seguiu os procedimentos adequados para lidar com o acúmulo de gelo, mesmo após alertas da aeronave. A investigação apontou que a tripulação estava focada em outras tarefas, ignorando os sinais de alerta.
Durante a coletiva de imprensa, o delegado André Ribeiro mencionou uma “cultura organizacional de não reporte” dentro da Voepass, que contribuiu para a falta de registros de problemas operacionais. Essa cultura de omissão foi considerada um fator crítico na sequência de eventos que levaram ao acidente.
Além das falhas no sistema de degelo, a investigação revelou que a aeronave foi autorizada a decolar mesmo com limpadores de para-brisa inoperantes, o que é incompatível com as normas de segurança, especialmente considerando as previsões de chuva no destino.
O acidente resultou na morte de todos os 62 ocupantes da aeronave, incluindo quatro tripulantes. A PF concluiu que a perda de controle da aeronave, devido ao acúmulo de gelo e à inoperância do sistema de degelo, foi a causa principal do sinistro.











