O Corinthians enfrenta uma crise não apenas dentro de campo, onde acumula nove jogos sem vitórias e está à beira do rebaixamento no Campeonato Brasileiro, mas também fora dele, com a situação financeira do clube se deteriorando. Recentemente, o perito judicial responsável pelo Regime de Centralização de Execuções (RCE) do clube emitiu um ultimato, solicitando que o Timão quite uma dívida de mais de R$ 10 milhões em um prazo reduzido, sob pena de sofrer penhoras em série.
Na manifestação apresentada nesta quinta-feira (22), a administradora judicial Laspro confirmou que o Corinthians não tem cumprido com os pagamentos acordados, especificamente os rateios referentes aos meses de julho e agosto, que totalizam R$ 10.140.956,79. O perito pediu que o clube seja intimado a regularizar essa situação e a apresentar todos os documentos pendentes.
A situação se torna ainda mais crítica com a ameaça de revogação do benefício do RCE, o que poderia levar à retomada de execuções individuais contra o clube. Isso significaria a possibilidade de penhoras e bloqueios nas contas e bens do Corinthians, complicando ainda mais sua já delicada situação financeira.
O perito destacou que a persistência do inadimplemento e as pendências dificultam a fiscalização do cumprimento do plano de pagamento. Ele alertou que a ausência de regularização das obrigações no prazo estipulado poderá resultar na revogação da suspensão dos atos constritivos, permitindo que credores busquem seus direitos na Justiça.
Além disso, o Ministério Público de São Paulo também se manifestou, dando um prazo de 15 dias para que o Corinthians regularize os pagamentos atrasados. O promotor Roberto Victor Anelli Bodini exigiu que o clube comprove o depósito integral dos valores pendentes, sob pena de revogação do benefício de suspensão das execuções individuais.
O MP também questionou o clube sobre um contrato com a Nike, solicitando esclarecimentos sobre a classificação contábil de um valor de R$ 32.775.000, que foi registrado como operação financeira. Essa solicitação reflete a preocupação com a transparência e a correta gestão financeira do clube.
Recentemente, o empresário Carlos Leite, por meio da RC Consultoria, revelou que o Corinthians deixou de pagar 42% do rateio de agosto e 100% do que deveria ter recebido em setembro, classificando a situação como “graves irregularidades”. Outros credores, incluindo o empresário André Cury e a ex-patrocinadora Pix Star, também relataram a falta de pagamentos, evidenciando um padrão preocupante na gestão financeira do clube.
Se o Corinthians perder o RCE, enfrentará uma avalanche de processos judiciais que atualmente estão paralisados, mas que antes bloqueavam suas contas e impediam o pagamento de salários. O clube possui mais de R$ 700 milhões em dívidas judiciais que poderiam ser contempladas no regime, tornando a situação ainda mais crítica.
Em resposta a essas questões, o Corinthians emitiu uma nota oficial reafirmando a importância do RCE para sua reorganização financeira. O clube afirmou que está tratando de forma técnica e responsável os pontos relacionados aos pagamentos e que está comprometido em cumprir suas obrigações financeiras. O Corinthians também destacou que está em diálogo constante com os agentes envolvidos e que tomará as medidas necessárias para preservar o RCE.
O cenário atual do Corinthians é um reflexo de desafios financeiros significativos, e a pressão para regularizar a situação é cada vez maior. A continuidade da crise pode impactar não apenas a saúde financeira do clube, mas também seu desempenho em campo, que já se mostra comprometido.











