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Mulheres da ACAMM transformam ubarana em fonte de renda e inclusão social no Rio

A valorização de um peixe antes desprezado está transformando a vida de mulheres na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. A iniciativa não só gera renda, mas também promove...

Mulheres da ACAMM transformam ubarana em fonte de renda e inclusão social no Rio

Prévia: A valorização de um peixe antes desprezado está transformando a vida de mulheres na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. A iniciativa não só gera renda, mas também promove a preservação ambiental e a saúde mental da comunidade.

Na Baixada Fluminense, mulheres da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé (ACAMM) estão mudando suas vidas e a economia local através da culinária. O foco é a ubarana, um peixe que, até pouco tempo, não tinha valor comercial significativo, mas que agora é a estrela de pratos criativos que atraem turistas e moradores.

A Cozinha das Caranguejeiras, situada na sede da ACAMM, é o local onde são preparados pratos como estrogonofe, almôndegas e coxinhas, todos feitos com a carne da ubarana. Essa técnica de preparo, baseada em saberes tradicionais, não apenas enriquece a culinária local, mas também gera uma nova fonte de renda para as famílias envolvidas.

Transformação e Inclusão Social

Márcia Regina, uma das líderes da iniciativa, destaca que o trabalho na cozinha vai além da geração de renda. “Tem sido muito bom e ainda gera renda”, afirma. A interação entre as mulheres, que muitas vezes enfrentam problemas emocionais, cria um ambiente de apoio mútuo e solidariedade.

A história da ubarana na comunidade é antiga, mas sua valorização comercial é recente. Antes, esse peixe servia apenas como complemento na alimentação local. Com a criação da associação, as mulheres começaram a explorar novas formas de preparo e venda, elevando o status do peixe na comunidade.

De acordo com a bióloga Verônica Souza, a ubarana é um peixe encontrado em ambientes costeiros e estuarinos, mas sua carne é frequentemente desprezada devido às espinhas finas. As mulheres da ACAMM desenvolveram métodos que permitem aproveitar a carne de forma saborosa, transformando a percepção sobre o peixe.

Geração de Renda e Preservação Ambiental

Atualmente, 15 mulheres trabalham na Cozinha, e 24 famílias são beneficiadas indiretamente. A renda gerada não só fortalece a economia local, mas também está ligada a ações de preservação do manguezal, essencial para a sobrevivência da ubarana e outras espécies.

Rafael Santos, presidente da ACAMM, ressalta a importância da conscientização ambiental. “Fazemos a limpeza e o replantio de manguezal, porque sabemos que a qualidade do estuário é crucial para a sobrevivência do peixe”, explica. Desde janeiro, a comunidade já retirou mais de 12 mil quilos de resíduos do Rio Suruí, uma ação que demonstra o compromisso com a conservação ambiental.

Turismo e Educação Ambiental

Além da culinária, a ACAMM também promove o Turismo de Base Comunitária, atraindo visitantes interessados em conhecer a biodiversidade da Baía de Guanabara. Os programas incluem observação de fauna e flora, contribuindo para a educação ambiental da comunidade.

A Cozinha das Caranguejeiras não é apenas um espaço para refeições; é um centro de aprendizado e conscientização. Rafael Santos enfatiza que a experiência vai além da alimentação, promovendo um entendimento mais profundo sobre a importância da preservação ambiental.

Essa iniciativa, apoiada pelo Projeto Andadas Ecológicas, é um exemplo de como a união de saberes tradicionais e práticas sustentáveis pode gerar impacto positivo na vida das pessoas e no meio ambiente. A valorização da ubarana é um passo importante para a sustentabilidade e a inclusão social na região.

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