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Paraná deve importar 1,6 milhão de toneladas de trigo na safra 2026/27

O Paraná enfrenta um déficit histórico na produção de trigo, que pode levar o estado a importar até 1,6 milhão de toneladas do grão.

Paraná deve importar 1,6 milhão de toneladas de trigo na safra 2026/27

Previa: O Paraná enfrenta um déficit histórico na produção de trigo, que pode levar o estado a importar até 1,6 milhão de toneladas do grão. A situação se agrava em um cenário de alta nos custos e incertezas sobre a qualidade do trigo disponível no mercado internacional.

Na safra 2026/27, o Paraná deve registrar a maior diferença entre a produção e a demanda de trigo de sua história. A produção prevista é de cerca de 2,2 milhões de toneladas, enquanto a demanda dos moinhos paranaenses deve alcançar 3,85 milhões de toneladas, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).

Esse déficit de aproximadamente 1,6 milhão de toneladas aumenta a dependência do estado em relação ao mercado externo, em um momento em que a oferta internacional é reduzida e os custos de importação estão elevados. A situação será discutida na 9ª edição do Café Moageiro, promovido pelo Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo-PR).

Impactos na Indústria de Moagem

O Paraná abriga o maior parque moageiro do Brasil, responsável por cerca de 30% da produção nacional de farinha. A diminuição da oferta local impacta diretamente toda a cadeia produtiva do trigo, desde os agricultores até a indústria de moagem e os consumidores finais.

Além da necessidade de buscar trigo em outras regiões e países, os moinhos enfrentam margens de lucro reduzidas. Embora os preços do grão tenham subido no primeiro semestre, a farinha não teve aumento proporcional, dificultando o repasse dos custos e pressionando a rentabilidade da indústria.

A presidente do Sinditrigo-PR, Paloma Venturelli, destaca que essa combinação de fatores torna o cenário atual desafiador para o setor. A pressão sobre as margens é um tema recorrente, especialmente em um momento em que o mercado de farelo de trigo, um coproduto importante, também está enfraquecido.

Revisão da Safra Brasileira e Dependência Externa

A situação de abastecimento não é exclusiva do Paraná. A produção de trigo no Brasil como um todo foi revisada, passando de 7,2 milhões para 5,9 milhões de toneladas, devido a fatores como a seca no Cerrado e perdas em lavouras de Minas Gerais e Goiás. Essa queda na produção nacional deve resultar em um aumento recorde nas importações, que podem chegar a quase 9 milhões de toneladas.

No Paraná, a redução da produção é atribuída à diminuição da área cultivada, que caiu para aproximadamente 740 mil hectares, e à expectativa de menor produtividade, que deve recuar cerca de 9,5%. O investimento em tecnologia também diminuiu, impactando negativamente o potencial produtivo do estado.

Qualidade do Trigo e Desafios Internacionais

Com a produção brasileira insuficiente, a importação se torna crucial. A Argentina é a principal alternativa, mas a qualidade do trigo argentino nesta safra é motivo de preocupação, com níveis de proteína e glúten abaixo do ideal para a indústria de moagem.

Além disso, a busca por trigo de maior qualidade em outros fornecedores, como os Estados Unidos, pode elevar os custos de importação. O trigo norte-americano pode custar até R$ 300 a mais por tonelada em comparação ao argentino, devido à menor oferta e à alta dos preços internacionais.

Os conflitos na região do Mar Negro também aumentam os custos de frete e seguros, complicando ainda mais a situação do abastecimento. O Paraguai, outro fornecedor tradicional, deve enfrentar uma redução em sua capacidade de exportação, o que intensifica a competição pelo trigo importado.

Perspectivas Futuras e Necessidade de Coordenação

O comportamento do câmbio oferece algum alívio, mas não é suficiente para neutralizar a alta dos preços internacionais. A possibilidade de um El Niño de alta intensidade também pode trazer riscos adicionais à qualidade das safras de trigo.

O Café Moageiro, que ocorrerá em Londrina, abordará esses desafios e a necessidade de uma maior coordenação entre moinhos, sindicatos, cooperativas e governos. A discussão será fundamental para enfrentar o déficit de abastecimento e contribuir para a segurança alimentar no Brasil.

Com a combinação de menor área plantada, queda de produtividade e alta demanda, o Paraná se encontra em um ciclo decisivo para o setor tritícola. A evolução do mercado nos próximos meses dependerá de diversos fatores, incluindo as condições climáticas e as dinâmicas de importação.

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