Prévia: Durante a Operação Contenção, uma análise revelou que 17% dos policiais do Bope retiraram as câmeras corporais, levantando preocupações sobre a transparência das ações policiais. O Ministério Público do Rio de Janeiro investiga possíveis ilegalidades cometidas durante a operação que resultou em mais de 120 mortes.
A Operação Contenção, realizada em outubro do ano passado nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, teve como alvo o Comando Vermelho. A análise dos equipamentos utilizados por 51 policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) revelou que, em 17% dos casos, as câmeras corporais foram retiradas durante a ação. Além disso, em 7,8% das situações, há indícios de obstrução intencional das imagens captadas.
O levantamento foi conduzido pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e faz parte de uma investigação independente do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp). Até o momento, mais de 200 agentes envolvidos em confrontos armados foram ouvidos, com foco naqueles que registraram consumo de munição no dia da operação.
Ilegalidades
O MPRJ já apresentou oito denúncias contra 27 policiais militares por diversas ilegalidades, incluindo apropriação de armamento, furto de peças de veículos e invasões de domicílio. As denúncias também incluem constrangimentos a moradores e tentativas de desligamento das câmeras corporais, o que levanta questões sobre a conduta dos agentes durante a operação.
Os depoimentos dos presos na operação estão sendo coletados para oferecer uma visão mais ampla dos eventos ocorridos. Além disso, o MPRJ instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) autônomo e está monitorando a situação em tempo real, conforme os protocolos estabelecidos na ADPF 635, que trata das favelas.
Recomendação
Em resposta às irregularidades, o MPRJ expediu, em dezembro de 2025, uma Recomendação aos secretários de Segurança Pública, Polícia Civil e Polícia Militar para a criação de um Protocolo Conjunto de Atuação em operações policiais. O objetivo é implementar medidas que reduzam riscos e contenham a letalidade durante essas ações.
Em março deste ano, uma nova Recomendação foi direcionada às mesmas autoridades, visando aprimorar o planejamento e monitoramento do uso das câmeras operacionais portáteis (COPs). Essa iniciativa busca garantir maior eficácia no uso dessa tecnologia, essencial para a transparência e responsabilização das ações policiais.











