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Morre Marcelly Malta Lisboa, ícone da luta pelos direitos trans no Brasil

Marcelly Malta Lisboa, uma das vozes mais influentes na luta pelos direitos da população trans no Brasil, faleceu aos 75 anos. Sua trajetória de ativismo e conquistas deixou um legado...

Morre Marcelly Malta Lisboa, ícone da luta pelos direitos trans no Brasil

Previa: Marcelly Malta Lisboa, uma das vozes mais influentes na luta pelos direitos da população trans no Brasil, faleceu aos 75 anos. Sua trajetória de ativismo e conquistas deixou um legado significativo para a comunidade LGBTQIA+.

A ativista Marcelly Malta Lisboa, reconhecida por sua dedicação à defesa dos direitos da população LGBTQIA+, faleceu no último sábado, 4 de julho, em Porto Alegre, aos 75 anos. A confirmação de sua morte foi feita pela ONG Igualdade, entidade que ela fundou no final da década de 1990, e que se tornou um pilar na luta pelos direitos de travestis e transexuais no Rio Grande do Sul.

Nascida em março de 1951, em Mato Leitão, Marcelly dedicou sua vida à promoção da cidadania e à saúde da população trans. Sua trajetória inclui a formulação de políticas públicas que visam combater a violência e promover a inclusão social, refletindo seu compromisso com a justiça e igualdade.

Legado e reconhecimento

Em nota, a ONG Igualdade ressaltou o impacto de Marcelly em sua luta. “Ela foi uma mulher travesti de coragem, força e dignidade. Uma guerreira incansável na luta pelos direitos da população trans e travesti do Brasil”, destacou a entidade, enfatizando a resistência e o acolhimento que ela proporcionou ao longo de sua vida.

Marcelly enfrentou desafios significativos, incluindo comorbidades que a levaram a ser hospitalizada nos dias que antecederam sua morte. O velório está programado para ocorrer neste domingo, 5 de julho, na Casa dos Conselhos, em Porto Alegre, onde amigos e admiradores poderão prestar suas últimas homenagens.

Conquistas históricas

Um dos marcos de sua trajetória ocorreu em 2011, quando, enquanto presidia o Conselho Municipal de Direitos Humanos de Porto Alegre, conquistou na Justiça o direito de retificar seu nome no registro civil. Essa decisão foi um passo importante para a população trans, incentivando outros a buscarem o reconhecimento legal.

Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou esse avanço ao permitir que pessoas trans alterassem nome e gênero diretamente no registro civil, sem a necessidade de cirurgia ou decisão judicial, um reflexo do trabalho de ativistas como Marcelly.

Durante a ditadura militar, Marcelly também enfrentou prisões e diversas formas de discriminação, o que moldou sua determinação em lutar por um futuro mais justo para a comunidade LGBTQIA+.

Atuação na saúde e prevenção ao HIV

Formada como auxiliar de enfermagem, Marcelly ingressou no serviço público em 1979. Após um período na Europa, onde testemunhou o avanço da epidemia de HIV/Aids, retornou ao Brasil e começou a compartilhar informações sobre prevenção e tratamento com travestis em Porto Alegre.

Seu trabalho no Grupo de Apoio à Prevenção da Aids (Gapa) a consolidou como uma liderança respeitada na área da saúde e dos direitos da população trans. Além disso, ela contribuiu para a formação de agentes da Polícia Civil em cursos promovidos pelo governo do Rio Grande do Sul.

Marcelly também teve uma vivência intensa na prostituição, que ela reconheceu como uma parte significativa de sua vida. “Não foi o Estado que me deu o que tenho, foi a prostituição”, afirmou em uma entrevista, destacando a complexidade de sua trajetória e o papel que desempenhou na luta pelos direitos de sua comunidade.

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