O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, prorrogou em mais 60 dias a investigação da Polícia Federal que apura possíveis crimes relacionados aos bloqueios de rodovias após as eleições de 2022 e sua possível ligação com os atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023. A decisão foi assinada nesta quarta-feira 6, após a PF informar que ainda há diligências pendentes no inquérito.
O foco da apuração envolve empresas de ônibus que teriam transportado manifestantes para Brasília. A investigação teve início na Polícia Civil do Tocantins, que abriu o procedimento para apurar o bloqueio da Ponte Presidente Fernando Henrique Cardoso, em Aguiarnópolis, entre 31 de outubro e 3 de novembro de 2022. Na ocasião, apoiadores inconformados com a derrota de Jair Bolsonaro (PL) obstruíram vias federais com pedidos de intervenção militar.
Ao longo da apuração, a investigação passou a incluir suspeitas de financiamento dos atos e possível relação entre investigados e os episódios de vandalismo registrados em Brasília depois da vitória do presidente Lula (PT). A PF mira, por exemplo, movimentações bancárias, viagens de ônibus ao Distrito Federal entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023 e a possível conexão entre passageiros, financiadores e participantes dos atos.
Em decisões anteriores, Moraes autorizou diligências junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres para verificar registros de viagens a Brasília, além da oitiva de representantes de empresas de transporte citadas na investigação.
Na semana passada, o magistrado determinou a prisão do empresário Willian Frederico Jaeger, condenado a cinco anos de prisão por participar de bloqueios ilegais de rodovias em Santa Catarina, em 2022. A ordem foi expedida após o trânsito em julgado da condenação, quando não cabem mais recursos. De acordo com as investigações, Jaeger participou de bloqueios na BR-470, em Rio do Sul, entre o fim de outubro e o início de novembro de 2022.




