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Milho sobe em Chicago e na B3, mas mercado físico brasileiro permanece travado

Os preços do milho apresentam alta nas bolsas internacionais, impulsionados por condições climáticas adversas nos Estados Unidos. No entanto, o mercado físico brasileiro continua enfrentando dificuldades, com baixa liquidez...

Milho sobe em Chicago e na B3, mas mercado físico brasileiro permanece travado

Previa: Os preços do milho apresentam alta nas bolsas internacionais, impulsionados por condições climáticas adversas nos Estados Unidos. No entanto, o mercado físico brasileiro continua enfrentando dificuldades, com baixa liquidez e resistência dos produtores em vender.

Os contratos futuros do milho registraram valorização nesta terça-feira (18) nas bolsas internacionais, seguindo a tendência de alta observada no início da semana. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o mercado reagiu à deterioração das lavouras nos Estados Unidos, onde o clima tem sido irregular, com algumas regiões enfrentando calor extremo e outras, tempestades e excesso de chuvas.

Clima nos EUA e suas consequências

Por volta das 9h35, no horário de Brasília, o contrato de milho com vencimento em setembro de 2026 era negociado a US$ 4,67 por bushel, com alta de 2,25 pontos. O cenário climático nos EUA tem gerado incertezas sobre a safra, com 60% das lavouras classificadas como boas ou excelentes, uma queda significativa em relação ao ano anterior, quando esse índice era de 72%.

As condições climáticas irregulares nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos aumentam as preocupações sobre o potencial produtivo da safra. Alertas de calor extremo foram emitidos para partes de Oklahoma e Arkansas, enquanto o centro de Illinois enfrenta riscos de tempestades severas, o que pode impactar negativamente as plantações.

Desempenho do mercado brasileiro

No Brasil, os contratos futuros do milho na B3 também apresentaram alta, impulsionados pelo avanço da CBOT e pela resistência dos produtores em vender. O vencimento de setembro de 2026 fechou a R$ 70,57 por saca, com um ganho de R$ 0,37. Apesar da valorização, o mercado físico permanece com baixa liquidez, devido à discrepância entre os preços pedidos pelos vendedores e as ofertas dos compradores.

As exportações brasileiras de milho estão abaixo do ritmo do ano anterior. Nos primeiros dez dias úteis de agosto, o Brasil exportou 2,216 milhões de toneladas, representando apenas 32,36% do volume embarcado no mesmo período de 2025. Apesar disso, o preço médio das exportações subiu 9,5%, atingindo US$ 216,80 por tonelada.

Desafios e perspectivas para o mercado

O mercado brasileiro enfrenta forte concorrência dos Estados Unidos e da Argentina, o que pode impactar os preços internos. A evolução das exportações será crucial para determinar o comportamento dos preços ao longo do segundo semestre. Se os embarques não aumentarem, a oferta disponível pode pressionar as cotações em algumas regiões.

Além disso, a limitação da oferta no mercado spot e os atrasos na colheita, aliados a preocupações climáticas, ajudam a sustentar os preços do milho no Brasil. Entretanto, a comercialização continua lenta, com compradores hesitantes em elevar suas ofertas e produtores aguardando valores mais atrativos.

As cotações do milho variam entre as regiões produtoras, com o Rio Grande do Sul apresentando preços entre R$ 58 e R$ 63 por saca. No Paraná, a colheita da segunda safra alcançou 60% da área cultivada, mas as negociações ainda são limitadas devido à diferença entre as expectativas de preços de vendedores e compradores.

O futuro do milho no Brasil dependerá das condições climáticas nos Estados Unidos, do desempenho da colheita nacional e do ritmo das exportações. Novas perdas nas lavouras norte-americanas podem impulsionar os preços em Chicago, mas a recuperação do mercado físico brasileiro exigirá um aumento na demanda, especialmente nos portos e nas indústrias consumidoras.

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