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Milho no Brasil sobe 9,1%, mas safra dos EUA ameaça exportações nacionais

O mercado de milho no Brasil enfrenta um cenário misto, com preços em alta impulsionados pela demanda interna, enquanto a expectativa de uma safra robusta nos Estados Unidos ameaça...

Milho no Brasil sobe 9,1%, mas safra dos EUA ameaça exportações nacionais

Previa: O mercado de milho no Brasil enfrenta um cenário misto, com preços em alta impulsionados pela demanda interna, enquanto a expectativa de uma safra robusta nos Estados Unidos ameaça as exportações brasileiras.

O mercado do milho no Brasil está em um momento de tensão, com forças opostas influenciando os preços. Enquanto a valorização do dólar e a demanda interna aquecida elevam os preços, a expectativa de uma grande safra nos Estados Unidos coloca em risco as exportações brasileiras. Essa análise foi apresentada no Agro Mensal de agosto, relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA.

Em julho, a cotação média do milho em Sorriso, Mato Grosso, foi de R$ 42 por saca, um aumento de 1,1% em relação ao mês anterior. Com a entrada da segunda safra no mercado, o preço médio subiu para R$ 46 por saca em agosto, uma valorização de 9,1%. Essa alta é atribuída principalmente à valorização do dólar e ao interesse contínuo dos compradores.

Desempenho no mercado internacional

Na Bolsa de Chicago, o preço do milho teve um leve recuo em agosto, com a média caindo para US$ 4,41 por bushel, após uma alta em julho. A melhora das condições climáticas nos Estados Unidos reduziu os riscos para a produção, impactando negativamente as cotações. O bom desempenho da demanda doméstica e das exportações norte-americanas havia sustentado os preços anteriormente.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou uma produtividade de 11,4 toneladas por hectare para a safra 2026/27, com uma área colhida de 35,9 milhões de hectares. Apesar de uma leve redução na produtividade média, a produção total dos EUA está estimada em 407 milhões de toneladas, o que representa um volume elevado, embora inferior ao do ciclo anterior.

Globalmente, a produção de milho deve recuar para 1,299 bilhão de toneladas na temporada 2026/27, uma queda de 2% em relação ao ciclo anterior. O consumo global, por outro lado, deve crescer 1%, o que pode resultar em estoques finais menores e uma relação estoque/consumo mais ajustada.

Desafios para as exportações brasileiras

A produção brasileira de milho está projetada em 139 milhões de toneladas para 2026/27, uma leve redução em relação ao ciclo anterior. Embora as exportações tenham crescido 5,8% entre fevereiro e julho, os embarques começaram a desacelerar no segundo semestre, com julho apresentando um volume 20% inferior ao do mesmo mês do ano anterior.

Um dos principais desafios enfrentados pelo Brasil é a perda de competitividade no mercado internacional. O milho brasileiro está sendo vendido a preços mais altos do que os de concorrentes como Estados Unidos, Argentina e Ucrânia, o que pode desviar compradores para outras origens. A combinação de preços elevados e custos logísticos pode limitar a capacidade de exportação do Brasil.

Além disso, a China reduziu sua previsão de importação de milho, aumentando a concorrência entre os principais exportadores. A produção chinesa está projetada em 307 milhões de toneladas, o que pode impactar ainda mais o comércio global.

Apesar das incertezas, os riscos geopolíticos, como a guerra no Mar Negro, continuam a oferecer suporte ao mercado. A escalada das tensões na região pode influenciar os preços do milho, uma vez que o trigo e o milho são frequentemente utilizados como substitutos na alimentação animal.

O cenário atual exige atenção dos produtores em relação à paridade de exportação e à demanda interna. A gestão cuidadosa das vendas será crucial para equilibrar a oferta e evitar pressões sobre os preços no mercado interno, especialmente se as exportações continuarem a desacelerar.

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