Previa: O mercado de milho no Brasil se mantém firme, mesmo durante a colheita da segunda safra, devido à baixa oferta e cautela nas negociações. A expectativa de redução dos estoques globais reforça um cenário otimista para os preços do cereal.
O mercado brasileiro de milho começou a semana com preços estáveis, mesmo em um período de colheita ativo. A combinação de baixa liquidez, oferta restrita e a valorização das cotações internacionais contribui para um cenário considerado positivo no médio prazo.
Dados do Cepea indicam que as cotações permanecem firmes na maioria das regiões produtoras. No entanto, a comercialização é lenta, pois muitos produtores estão focados na colheita e aguardam melhores oportunidades para negociar, enquanto os compradores se mostram cautelosos, esperando maior disponibilidade do produto.
Desempenho da Colheita e Impactos Climáticos
Tradicionalmente, o período de colheita tende a pressionar os preços para baixo, mas as condições climáticas atuais têm limitado a oferta. A colheita da segunda safra avança em um ritmo semelhante ao do ano passado, mas ainda está abaixo da média das últimas cinco safras, o que ajuda a sustentar os preços.
Outro fator que influencia o mercado é o desempenho da soja. A alta nos preços da oleaginosa fez com que muitos agricultores priorizassem sua comercialização, adiando as vendas de milho e reduzindo ainda mais a liquidez no mercado.
Para as próximas semanas, espera-se um avanço mais rápido da colheita, favorecido pela previsão de chuvas menores nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. Isso permitirá que os produtores tenham estimativas mais precisas de produtividade, especialmente após os impactos de geadas no Paraná e seca em Goiás.
Perspectivas de Alta e Estratégias Comerciais
Além dos fatores internos, o mercado também observa um ambiente internacional favorável. A TF Agroeconômica aponta que a redução dos estoques finais nos Estados Unidos e globalmente, junto com uma demanda internacional robusta, tende a limitar quedas nos preços, mesmo com a maior produção brasileira.
Diante desse cenário, a consultoria recomenda que os produtores realizem vendas graduais, aproveitando momentos de recuperação nos preços. A utilização de operações de hedge na B3 é sugerida para proteger as margens e preservar parte dos estoques para possíveis valorizações futuras.
As cooperativas devem intensificar a originação nos momentos de maior interesse de venda e monitorar os prêmios de exportação. Já as cerealistas são aconselhadas a manter compras escalonadas, evitando excessos e aproveitando oportunidades de arbitragem entre o mercado interno e o externo.
Negociações no Mercado Físico e Expectativas Futuras
Apesar da sustentação dos preços, a última semana registrou baixa liquidez no mercado físico. Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros encerraram a sexta-feira em leve baixa, mas acumularam ganhos na semana. O contrato de julho de 2026 fechou a R$ 64,73 por saca, com uma leve queda diária, mas uma valorização semanal.
No Rio Grande do Sul, o mercado opera com poucos negócios, com preços variando entre R$ 56 e R$ 64 por saca. Em Santa Catarina, há um impasse entre vendedores e compradores, enquanto no Paraná, a colheita enfrenta dificuldades devido ao excesso de chuvas.
Nos próximos dias, o foco continuará na evolução da colheita, nas condições climáticas e no desempenho das exportações. Se os estoques globais permanecerem ajustados e a demanda internacional se mantiver aquecida, o mercado brasileiro deve continuar encontrando sustentação, criando um ambiente favorável para estratégias de comercialização bem planejadas.











