Muito além da estética, o Metrópoles Catwalk mostrou que moda também é discurso. Ao longo da programação no foyer do Teatro Nacional Claudio Santoro, o evento consolidou a passarela como um espaço de expressão política, onde roupas, corpos e narrativas se cruzam para refletir o tempo presente.
Entre desfiles e encontros, o Metrópoles Catwalk evidenciou a moda como linguagem de expressão e posicionamento, indo além da estética para refletir questões de identidade, poder e resistência, tanto na passarela quanto em quem ocupa o espaço.
Presente no evento, o diretor do Teatro Nacional, Adriano Rodrigues, destacou o simbolismo da iniciativa.
“É uma alegria ver este espaço novamente ocupado. O Metrópoles Catwalk traz vida, movimento e, sobretudo, acesso. É o encontro entre arte, cultura e moda em um lugar que faz parte da identidade da cidade”, afirmou.
Mais do que cenário, o Teatro Nacional se torna parte ativa dessa narrativa. Ícone arquitetônico de Brasília, o espaço passa a abrigar não apenas manifestações artísticas tradicionais, como também novas formas de expressão que dialogam diretamente com o contemporâneo.
Moda, poder e ocupação
A presença de autoridades e representantes do poder público reforçou o caráter institucional e simbólico do evento. Entre os convidados, estavam nomes como o secretário-executivo de Segurança Pública do DF, Alexandre Patury, e o subsecretário do Patrimônio Cultural, Felipe Ramón Moro.
Para Moro, a realização do Catwalk no Teatro Nacional dialoga diretamente com a vocação do espaço. “O foyer foi concebido como um ambiente interdisciplinar, aberto a diferentes linguagens. A moda faz parte disso”, afirmou.
Já a ex-primeira-dama do DF, Mayara Noronha, destacou o impacto social da empreitada e sua capacidade de mobilização:
“Trazer a moda para o coração de Brasília, especialmente para um espaço com essa simbologia, mostra que era isso que estava faltando. O evento cresce e traz a população para perto”, disse.
Ao reunir diferentes públicos – de autoridades a estudantes, de artistas a profissionais da indústria – o evento reforça a ideia de que a moda também constrói pontes. Nesse processo, se consolida como ferramenta de encontro e de articulação social.
O vestir como manifestação
A multiartista Valéria Barcellos foi uma das vozes que reforçaram essa perspectiva. Para ela, a ideia de que a moda seria superficial já não se sustenta. “Eu acho que a moda nunca foi uma coisa fútil. A moda é trabalho, é cadeia produtiva, é muita gente envolvida. A futilidade está no pensamento de quem tenta desqualificar isso”, afirmou.
A fala dá luz a um ponto central: a moda movimenta uma estrutura complexa que envolve criação, produção e trabalho – muitas vezes invisibilizados. Ao mesmo tempo, carrega camadas simbólicas que vão além do produto final.
Ao ocupar a passarela, Valéria também trouxe à tona o caráter político da presença.
“Quando eu chegava em alguns lugares e não me via ali, pensava: preciso ser eu a primeira a fazer isso. Então, tudo que eu faço vem desse lugar de demarcar território”, explicou.
Sua participação reforça a ideia de que a moda também é sobre pertencimento. Nesse sentido, o corpo vestido se transforma em manifesto.
Identidade e posicionamento
A relação entre moda e identidade também apareceu nas falas de quem vive o evento por diferentes perspectivas. Para a artista e ativista Ruth Venceremos, o Metrópoles Catwalk deixa claro o potencial criativo da cidade e o papel da moda como linguagem social.
“Eu acho que esse evento vem justamente para evidenciar o potencial que Brasília tem para a moda. Vimos desfiles incríveis, que mostram que existe, de fato, uma vocação na cidade”, disse.
“E, sobretudo, ter incentivo e financiamento é essencial para que essa cadeia produtiva siga forte e ganhe cada vez mais projeção em nível nacional. O Brasil começa a voltar os olhos para Brasília a partir da moda”, completou.
A fala aponta para um outro aspecto político da moda: sua dimensão econômica e estrutural. Falar de moda é falar de trabalho, de sociedade e de economia, pilares fundamentais para que determinadas narrativas ganhem visibilidade.
Muito além da roupa
Entre desfiles e encontros, o Metrópoles Catwalk reafirmou a moda como linguagem de expressão e posicionamento, indo além da estética para refletir questões de identidade, poder e resistência, percepção que também atravessa o olhar do deputado federal André Figueiredo, que destacou no evento a “valorização da produção nordestina como forma de traduzir, com sensibilidade, a cultura e a beleza do povo brasileiro”.
No fim, o que o Metrópoles Catwalk prova é que a moda não se limita ao que se veste. Ela comunica, provoca, representa e posiciona. Em tempos de transformações sociais e disputas simbólicas, o vestir se torna uma escolha carregada de significado.
Nas passarelas, nos bastidores ou na plateia, cada presença ali carrega uma narrativa. E, juntas, essas narrativas ajudam a construir um retrato mais amplo de uma sociedade em movimento.
Mais do que tendência, a moda se afirma como linguagem. E, como toda linguagem, ela fala sobre quem somos, o que defendemos e quais histórias queremos contar.
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