Previa: O mercado de trigo no Sul do Brasil enfrenta dificuldades com baixa liquidez e cotações pressionadas internacionalmente. A combinação de estoques confortáveis e incertezas climáticas afeta a produção e as negociações no setor.
O cenário atual do mercado de trigo no Sul do Brasil é marcado por uma operação lenta, refletindo a cautela de moinhos e produtores. Com estoques em níveis confortáveis e uma baixa liquidez, as incertezas em relação à próxima safra têm gerado um ambiente de negócios restrito. Ao mesmo tempo, as cotações na Bolsa de Chicago estão em queda, influenciadas pelo fortalecimento do dólar e pela expectativa de uma oferta global abundante.
Os moinhos têm adotado uma estratégia de compras pontuais, evitando compromissos de longo prazo. Essa abordagem é motivada pela cobertura já garantida para os próximos meses, limitando assim o volume de negócios e contribuindo para a baixa movimentação comercial no setor.
Preços e preocupações no Sul
No Rio Grande do Sul, pequenos lotes de trigo comum estão sendo negociados a cerca de R$ 1.350 por tonelada, com embarques programados para julho e pagamentos previstos para agosto. As indústrias já garantiram a cobertura total para junho e aproximadamente 60% para julho, direcionando agora suas atenções para as compras de agosto.
Os produtores gaúchos estão preocupados com os altos custos de produção, margens apertadas e os riscos climáticos, especialmente com a possibilidade do retorno do fenômeno El Niño. Além disso, a incidência de DON (desoxinivalenol), uma micotoxina que compromete a qualidade dos grãos, é uma preocupação crescente. Em algumas áreas do centro e noroeste do estado, cooperativas relatam a possibilidade de uma redução significativa na área plantada com trigo na próxima safra.
Em Santa Catarina, as transações foram limitadas, com o trigo pão sendo negociado a R$ 1.360 por tonelada FOB e o trigo melhorador a R$ 1.400 FOB, ambos abaixo dos preços do produto importado. As cotações de balcão se mantiveram estáveis, exceto em Canoinhas e São Miguel do Oeste, onde os preços subiram devido à demanda regional.
No Paraná, as negociações também foram escassas, com preços variando de R$ 1.420 a R$ 1.480 por tonelada. O trigo branqueador é negociado próximo de R$ 1.450 FOB, enquanto as expectativas para a nova safra variam entre R$ 1.320 e R$ 1.350 FOB para entregas a partir de setembro.
Impactos do mercado internacional
No cenário internacional, os contratos futuros de trigo na Bolsa de Chicago apresentaram queda, influenciados pela valorização do dólar e pela expectativa de uma safra robusta na Rússia. A força do dólar torna o trigo dos Estados Unidos menos competitivo no mercado global, elevando os preços para os importadores.
Além disso, a expectativa de uma ampla disponibilidade do cereal no mercado global tem limitado os efeitos positivos da demanda observada em licitações internacionais. Apesar disso, uma compra significativa pela Argélia, que adquiriu mais de 800 mil toneladas de trigo, trouxe alguma esperança ao mercado.
Os contratos futuros de trigo com vencimento em julho fecharam a US$ 6,05 por bushel, com uma queda de 1,14% no dia. Para setembro, o fechamento foi a US$ 6,14 por bushel, com recuo de 1,16%.
A combinação de uma demanda cautelosa no mercado interno, altos custos de produção e um cenário internacional de ampla oferta continua a limitar uma recuperação mais consistente dos preços do trigo. Moinhos e produtores precisam estar atentos às condições climáticas e às perspectivas para a próxima safra, em um momento que exige planejamento e gestão de riscos para garantir a rentabilidade no setor.











