Prévia: O mercado de milho no Brasil enfrenta pressão devido a uma safra recorde, mas especialistas da StoneX apontam que o segundo semestre pode trazer mudanças, dependendo de fatores climáticos e econômicos.
Atualmente, o mercado brasileiro de milho opera sob forte pressão, resultado da ampla oferta disponível. A combinação de uma safra de verão robusta e uma segunda safra volumosa garante um abastecimento confortável, refletindo na recente queda das cotações, especialmente nos contratos da B3.
De acordo com a análise da StoneX, apesar de algumas perdas pontuais em estados como Goiás e Minas Gerais, a produção nacional continua a ser suficiente para atender à demanda no curto prazo. Essa elevada disponibilidade do cereal é o principal fator que mantém os preços em baixa.
Desafios nas exportações e no mercado internacional
Além da grande oferta interna, a competitividade das exportações brasileiras é limitada. Mesmo com a demanda aquecida, especialmente nos setores de proteína animal e indústria de rações, uma parte significativa da produção permanece no mercado interno. Isso se deve à dificuldade de competir com grandes exportadores, como os Estados Unidos e a Argentina, que estão ampliando sua presença no comércio global.
Em 2025, os Estados Unidos alcançaram uma produção recorde de milho, enquanto a Argentina se prepara para uma safra histórica em 2026, favorecida pela redução das tarifas de exportação. Essa situação aumenta a concorrência e pressiona ainda mais os preços do milho brasileiro.
Outro fator que impacta o desempenho do milho no Brasil é a valorização do real, que torna o produto nacional menos atraente para compradores externos, reduzindo o ritmo das exportações e, consequentemente, aumentando a oferta no mercado interno.
Expectativas para o segundo semestre
O foco dos investidores e agentes do mercado agora se volta para a evolução da safra nos Estados Unidos. Se a colheita americana se confirmar robusta, a tendência é que a pressão sobre os preços internacionais se mantenha, dificultando uma recuperação significativa no Brasil.
Entretanto, a StoneX alerta que ainda é cedo para prever esse cenário, uma vez que a lavoura americana está em fase de desenvolvimento e sujeita a riscos climáticos. Isso significa que o mercado deve continuar monitorando de perto as condições climáticas nos EUA.
Embora o atual balanço de oferta seja confortável, as atenções começam a se voltar para a próxima safra brasileira. Especialistas acreditam que será desafiador repetir os resultados excepcionais da safra atual, devido a fatores como aumento dos custos de fertilizantes e a possibilidade do fenômeno El Niño.
Riscos e oportunidades no horizonte
O comportamento do câmbio também pode aumentar a volatilidade do mercado. Com a aproximação do ciclo eleitoral no Brasil, espera-se uma maior instabilidade no mercado financeiro, o que pode impactar diretamente a competitividade das exportações de milho.
Apesar do cenário atual de conforto no abastecimento, os riscos para o médio prazo podem favorecer uma recuperação das cotações. Problemas climáticos, aumento dos custos de produção ou mudanças no câmbio podem transformar a pressão atual em um mercado mais equilibrado, com potencial de valorização dos preços.
O mercado de milho brasileiro entra no segundo semestre em um cenário de incertezas. Enquanto a oferta abundante mantém os preços pressionados, as variáveis climáticas e econômicas aumentam as chances de recuperação das cotações na safra 2026/27. Os próximos meses serão cruciais para definir a direção do mercado e o comportamento dos preços, tanto no Brasil quanto no exterior.











