Previa: O mercado de algodão no Brasil apresentou uma desaceleração em julho, embora os preços se mantenham firmes, impulsionados por um aumento nas exportações. A colheita da nova safra avança em Mato Grosso, trazendo novas expectativas para o setor.
O cenário do mercado brasileiro de algodão em julho foi marcado por uma movimentação intensa nas primeiras semanas, seguida por uma perda de ritmo ao longo do mês. Essa mudança se deve à postura cautelosa da indústria têxtil e a uma oferta mais controlada por parte dos produtores. A análise da Safras Consultoria destaca que os negócios passaram a ser mais pontuais, com foco na reposição de estoques.
Preço do algodão mantém valorização em julho
No mercado físico, as cotações do algodão se mantiveram firmes. Em Rondonópolis (MT), a pluma encerrou o mês cotada a R$ 131,69 por arroba, com uma valorização de R$ 2,79 por arroba em comparação ao mês anterior. Em São Paulo, o algodão alcançou R$ 4,15 por libra-peso, apresentando um avanço semanal de 1,97% e uma alta mensal de 1,72%.
Esses preços refletem uma combinação de fatores, incluindo uma oferta ajustada e uma expectativa positiva em relação ao desempenho das exportações brasileiras. Apesar da menor liquidez no mercado interno, os preços não sofreram pressão significativa, pois os produtores têm administrado a disponibilidade da fibra de forma eficaz.
Indústria mantém cautela nas compras
A indústria têxtil, por sua vez, continua a adotar uma estratégia conservadora nas compras, evitando grandes volumes e priorizando a aquisição conforme a necessidade de reposição. Essa abordagem tem contribuído para a redução do ritmo de negócios no mercado interno, mas não impactou de forma negativa os preços, que se mantêm estáveis.
Exportações de algodão do Brasil avançam em julho
O comércio exterior se destaca como um dos principais pilares de sustentação para o setor. Em julho, o Brasil exportou 127,653 mil toneladas de algodão, com uma média diária de 7,091 mil toneladas. A receita gerada pelas vendas externas atingiu US$ 216,2 milhões, refletindo um crescimento significativo em relação ao mesmo período do ano anterior.
Comparando com julho de 2025, o volume médio diário embarcado cresceu 28,2%, enquanto a receita média diária aumentou 33,9%. Esse desempenho reforça a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais de algodão, beneficiado pela demanda internacional e pela competitividade da fibra nacional.
Colheita da safra 2025/26 avança em Mato Grosso
No campo, a colheita da safra 2025/26 de algodão em Mato Grosso avança de forma acelerada. De acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), até 24 de julho, 13,11% da área cultivada havia sido colhida, um aumento em relação aos 8,36% registrados na semana anterior. Esse ritmo supera também o do mesmo período da safra anterior.
O avanço da colheita no maior estado produtor do Brasil aumenta gradualmente a disponibilidade da nova safra. O mercado observa atentamente a evolução dos trabalhos de campo, a qualidade da fibra e o comportamento da demanda, tanto interna quanto externa.
Perspectivas para o mercado de algodão
Para as próximas semanas, o setor deve continuar monitorando o avanço da colheita, o comportamento das exportações e a retomada das compras pela indústria. Com estoques administrados e uma demanda internacional aquecida, o mercado tende a se manter sustentado, embora as negociações no mercado doméstico sejam mais seletivas.
A expectativa é que a combinação de menor pressão vendedora, um desempenho positivo nas exportações e o avanço gradual da colheita mantenham os preços do algodão brasileiro firmes durante a transição para o segundo semestre, proporcionando um cenário otimista para os produtores e para o setor como um todo.











