Prévia: A diminuição da área cultivada com trigo no Brasil traz preocupações sobre a oferta interna e a crescente dependência de importações, especialmente na Região Sul, onde o mercado enfrenta baixa liquidez.
A área destinada ao cultivo de trigo no Brasil atingiu seu menor nível em nove anos, o que deve impactar a disponibilidade do cereal e aumentar a necessidade de importações na temporada 2026/27. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), essa redução acentua os riscos para a oferta nacional, especialmente em um cenário de incertezas climáticas e baixa comercialização antecipada da nova safra.
Importações e Dependência do Mercado Internacional
Estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que o Brasil poderá importar até 7,5 milhões de toneladas de trigo entre outubro de 2026 e setembro de 2027. Se essa previsão se concretizar, o Brasil se tornará o quarto maior importador mundial do cereal, atrás apenas de Egito, Indonésia e Argélia. Essa situação ressalta a dependência do país em relação ao mercado internacional para suprir a demanda da indústria de moagem.
A diminuição da área plantada torna o abastecimento interno ainda mais vulnerável às condições climáticas. Chuvas excessivas em fases críticas da cultura podem comprometer tanto o rendimento quanto a qualidade dos grãos, elevando ainda mais a preocupação entre os produtores.
Mercado Sulista em Baixa Liquidez
Na Região Sul, o mercado de trigo opera com baixa liquidez, conforme levantamento da TF Agroeconômica. Nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a movimentação de negócios é escassa, com compradores e vendedores apresentando diferenças significativas entre preços pedidos e ofertados.
No Rio Grande do Sul, a escassez de trigo dificulta as negociações. Vendedores pedem cerca de R$ 1.350 por tonelada, enquanto compradores oferecem até R$ 1.320. Essa discrepância tem mantido os negócios limitados e a formação de referências de preços consistente é prejudicada.
Desafios em Santa Catarina e Paraná
Em Santa Catarina, a falta de oferta de trigo local leva os moinhos a dependerem de grãos de estados vizinhos. Os preços do trigo pão variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, mas a dependência de produtos de fora do estado aumenta os custos logísticos e expõe as indústrias catarinenses a oscilações de oferta.
No Paraná, a preocupação se concentra na próxima safra, com riscos de excesso de chuvas durante o desenvolvimento e a colheita do trigo. Os preços do cereal da safra anterior estão em torno de R$ 1.500 por tonelada, mas as negociações estão travadas, com compradores buscando valores mais baixos.
Perspectivas para o Abastecimento Brasileiro
A combinação da redução da área cultivada, a baixa comercialização da nova safra e os riscos climáticos reforçam a necessidade de importações para equilibrar o mercado de trigo no Brasil em 2026/27. O comportamento do câmbio, os preços internacionais e a disponibilidade dos principais fornecedores externos terão um papel crucial nas cotações internas.
Para moinhos e produtores, o cenário atual exige atenção redobrada às condições das lavouras e às oportunidades de comercialização nos próximos meses. A situação demanda estratégias que considerem as incertezas do mercado e a necessidade de garantir o abastecimento no país.











