O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) gerou polêmica neste domingo (20/9) ao publicar uma foto em suas redes sociais vestindo uma camiseta com a imagem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acompanhada da frase “Sou ladrão e vacilão”. A expressão remete ao caso de Ruan Rocha Silva, um jovem que teve a mesma frase tatuada à força no rosto em 2017, e foi utilizada por Nikolas como uma crítica ao magistrado em meio a um contexto de investigações envolvendo o setor financeiro.
A postagem de Nikolas ocorreu logo após a divulgação de um vídeo em que Moraes e sua esposa, Viviane Barci, aparecem desembarcando de um jatinho particular associado ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. A exibição do vídeo gerou uma série de reações nas redes sociais, e o deputado não hesitou em se posicionar contra o ministro, questionando se Moraes incluiria a si mesmo no inquérito das fake news.
“Moraes vai incluir Moraes no inquérito das fakenews?”, indagou o parlamentar em uma sequência de publicações no X, plataforma anteriormente conhecida como Twitter. Nikolas também fez uma provocação sobre a próxima sessão do STF, sugerindo que, caso o vídeo não fosse mencionado, seria motivo para “desligar a TV e pedir impeachment de todo mundo”.
Contexto das investigações
O deslocamento do ministro Moraes para o jatinho particular ocorre em um momento delicado para os negócios de Vorcaro. Apenas um mês antes da viagem, o Banco Central havia emitido um alerta ao Ministério Público Federal (MPF) sobre indícios de gestão fraudulenta nas operações financeiras entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Essa situação levanta questões sobre a relação entre Moraes e o banqueiro, especialmente em um cenário onde a transparência e a ética nas ações de figuras públicas são cada vez mais cobradas pela sociedade.
Em resposta às acusações, tanto Alexandre de Moraes quanto a defesa de sua esposa negam qualquer irregularidade no caso envolvendo o Banco Master. Eles afirmam que o contrato de R$ 50 milhões mencionado nas investigações nunca existiu ou foi assinado. No entanto, a situação se complica com a descoberta de mensagens trocadas entre Vorcaro e Marcos Matta, gestor da empresa PrimeYou, que indicam o uso de aeronaves pelo casal. Em uma conversa datada de 16 de julho de 2025, Vorcaro questiona se Moraes e sua esposa estavam utilizando os serviços de aviação, e Matta confirma que o uso de aviões e helicópteros já estava liberado.
Esses desdobramentos geram um clima de tensão e desconfiança em relação às ações de autoridades, especialmente em tempos em que a população clama por maior responsabilidade e ética por parte de seus representantes. A postura de Nikolas Ferreira, ao expor a imagem de Moraes de forma provocativa, reflete um movimento crescente entre políticos que buscam capitalizar sobre a insatisfação popular com o sistema judiciário e político.
O caso também levanta questões sobre a liberdade de expressão e os limites da crítica política no Brasil. A utilização de imagens e frases de impacto, como a escolhida por Nikolas, pode ser vista como uma estratégia para mobilizar apoiadores e provocar reações, mas também pode ser interpretada como uma forma de deslegitimar instituições fundamentais da democracia, como o STF.











