Um tribunal de Israel confirmou nesta quarta-feira 6 a prorrogação, até domingo, da prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek, detidos pelas forças israelenses quando participavam de uma flotilha rumo a Gaza.
A detenção ocorreu na quinta-feira 30 em frente à costa da ilha grega de Creta. Ávila e Abu Keshek foram levados a Israel para interrogatório, enquanto outros ativistas foram transferidos para uma ilha grega e libertados.
Na terça-feira 5, um tribunal israelense estendeu até domingo a detenção dos dois. Os advogados recorreram, mas a apelação não prosperou.
“O tribunal de Beerseba rejeitou nossa apelação e aceitou todos os argumentos que o Estado e a polícia apresentaram à Corte, mantendo a decisão anterior”, declarou à AFP a advogada Hadeel Abu Salih.
Ávila e Abu Keshek, com algemas nos tornozelos, compareceram à audiência do recurso nesta quarta-feira, informou um jornalista da AFP no local.
O brasileiro parecia tranquilo, mas Abu Keshek apresentava sinais de esgotamento e se sentou com as mãos entrelaçadas sobre o colo.
A ONG israelense Adalah, que representa a dupla, classificou a detenção como ilegal e denunciou que eles sofreram maus-tratos contínuos durante a prisão.
Nenhum dos dois foi formalmente acusado, mas Israel os acusa de ter vínculos com o movimento palestino Hamas e de manter ligação com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior, grupo que os Estados Unidos acusam de agir “clandestinamente” em nome do grupo islamista.
Segundo Abu Salih, trata-se de “uma prisão ilegal ocorrida em águas internacionais, onde os ativistas foram sequestrados por um navio israelense sem qualquer autoridade”.
Ela também diz ser preocupante que o sistema legal dê sinal verde “às forças israelenses para continuar realizando prisões ilegais de uma maneira que também lhes daria legitimidade para voltar a fazê-lo e sequestrar cidadãos estrangeiros”.
De acordo com a Adalah — que significa justiça em árabe —, eles estão em “isolamento total, submetidos a iluminação intensa 24 horas por dia, sete dias por semana” em suas celas e permaneciam vendados sempre que eram transferidos, inclusive durante exames médicos.
As autoridades israelenses negam essas acusações.
Brasil, Espanha e a ONU pediram a libertação imediata dos ativistas. O porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, também solicitou nesta quarta-feira sua libertação “imediata e incondicional”.
A flotilha havia partido da França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio israelense a Gaza e entregar ajuda humanitária ao território palestino devastado pela guerra.
Israel controla todos os pontos de entrada em Gaza, que permanece sob bloqueio desde 2007.



