Previa: Três jovens negros do Rio de Janeiro e da Bahia foram selecionados para receber bolsas de estudo no exterior, com o objetivo de promover a equidade racial na educação. A iniciativa é parte do programa Black STEM, que apoia estudantes em áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
Estudar fora do Brasil é o sonho de muitos, mas a realidade financeira pode ser um obstáculo significativo. O Fundo Baobá, uma instituição que visa a equidade racial, lançou o programa Black STEM para ajudar estudantes negros a superarem esses desafios. Recentemente, três jovens foram selecionados para receber uma bolsa de R$ 42 mil, que cobrirá suas despesas durante a graduação no exterior.
Os estudantes que embarcarão em setembro são: Caio Ramos, que irá estudar Design no Dubai Institute of Design and Innovation, Quezia Fernanda, que cursará Engenharia Elétrica na Universidade de Jaén, na Espanha, e João Vitor, que se tornará aluno de Ciência da Computação na Northwestern University, nos Estados Unidos.
Histórias de superação
Caio Ramos, de 23 anos, é morador de Irajá, no Rio de Janeiro. Sua trajetória foi marcada por desafios, especialmente durante a pandemia, quando ficou sem aulas por um ano devido à falta de infraestrutura da escola. Além disso, enfrentou problemas familiares, com o pai apresentando sintomas de doenças degenerativas, o que o levou a trabalhar para ajudar em casa. Apesar das dificuldades, Caio vê a bolsa como uma vitória não apenas pessoal, mas também para aqueles que se identificam com sua história.
“Estar no Black STEM é uma vitória minha, mas eu sei também que é uma vitória das pessoas que vão se identificar comigo e que passam pelas mesmas coisas”, destacou Caio.
Quezia Fernanda, de 19 anos, é natural de Rio das Ostras e cursou o ensino médio técnico em automação industrial. A oportunidade de estudar na Espanha surgiu através de uma parceria entre seu instituto e a Faculdade de Jaén. Ela se sente motivada a estudar Engenharia Elétrica, reconhecendo a importância da área de energia, especialmente em sua cidade, que é conhecida como a capital do petróleo no Brasil.
“Vindo de Macaé, capital do petróleo no Brasil, sei bem como a área da energia é fundamental. Vi na engenharia elétrica possibilidade de iniciar um estudo e futuramente quero poder me aprofundar na área sustentável,” explicou Quezia.
Conexões e apoio
João Vitor, da cidade de Cruz das Almas, na Bahia, sempre teve afinidade com a computação. Sua escolha pela Northwestern University foi influenciada por sua conexão com comunidades quilombolas e a presença de um estudante brasileiro de origem quilombola na instituição. João valoriza as lideranças que o apoiaram ao longo de sua trajetória.
“Por ter tanta proximidade com as comunidades quilombolas, tenho um carinho enorme por aquelas lideranças que me ajudaram, que me aconselharam e que abriram as portas para mim”, ressalta João Vitor.
O programa Black STEM não se limita a oferecer apoio financeiro. Além da bolsa, os estudantes recebem mentorias de carreira, workshops e acompanhamento psicológico, visando garantir que tenham uma experiência positiva e enriquecedora no exterior. Giovanni Harvey, diretor-executivo do Fundo Baobá, enfatizou a importância de criar uma rede de suporte para os jovens, que muitas vezes enfrentam solidão e desafios emocionais ao se afastarem de suas famílias.
“Você tem aluno que saiu da Bahia, de Fortaleza e para longe da família. Há solidão e questões de saúde mental, que aparecem bastante entre os mais jovens. Não é somente dar o dinheiro. Tem que oferecer rede de apoio, de suporte,” afirmou Harvey.
Com essa iniciativa, o Fundo Baobá busca inspirar jovens negros a acreditarem em seu potencial e a ocuparem espaços de destaque na sociedade, promovendo a diversidade e a inclusão na educação superior.











