Previa: O IGP-10 apresentou uma queda de 0,30% em junho, refletindo a diminuição nos preços das commodities agrícolas e combustíveis. Apesar desse recuo, o índice ainda acumula alta no ano e nos últimos 12 meses.
O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) registrou uma queda significativa em junho, revertendo a alta observada no mês anterior. De acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV), o índice caiu 0,30%, enquanto acumulou um avanço de 3,16% no ano e 2,15% nos últimos 12 meses. Este movimento é um reflexo da redução nos preços do setor produtivo, especialmente em commodities do agronegócio e na desaceleração dos combustíveis.
Commodities agrícolas lideram movimento de queda
O economista Matheus Dias, do FGV IBRE, destaca que a acomodação dos preços internacionais e a normalização da oferta de produtos agropecuários foram fatores cruciais para a queda do IGP-10. Entre os produtos que mais contribuíram para essa retração estão o café, a cana-de-açúcar e os combustíveis, que tiveram um impacto considerável no índice no atacado.
Embora a maioria das commodities tenha apresentado queda, alguns produtos, como batata-inglesa e feijão, registraram aumentos de preços em junho. Esses aumentos foram impulsionados por fatores sazonais e restrições momentâneas de oferta, evitando uma queda mais acentuada do indicador geral.
Combustíveis aliviam pressão sobre os preços ao consumidor
No varejo, a desaceleração dos preços dos combustíveis contribuiu para conter a inflação ao consumidor. No entanto, esse efeito foi parcialmente neutralizado pelos aumentos nos preços de alimentos in natura e nas tarifas de energia elétrica, que continuam a impactar o orçamento das famílias brasileiras.
A combinação desses fatores resultou em um comportamento mais moderado dos índices de preços ao consumidor, o que influenciou o desempenho geral do IGP-10 em junho.
Construção civil mantém trajetória de alta
Enquanto os preços no atacado recuaram, o setor da construção civil seguiu apresentando pressão inflacionária. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) manteve uma trajetória de alta, impulsionado pelo aumento dos custos de mão de obra e pela valorização de insumos utilizados nas obras. Esse avanço nos custos da construção impediu que a queda do IGP-10 fosse ainda mais intensa no período.
Perspectivas para o agronegócio
A queda do IGP-10 indica um ambiente de menor pressão sobre os custos de produção em importantes cadeias do agronegócio brasileiro, especialmente nas commodities agrícolas exportáveis. A evolução dos preços internacionais, do câmbio e das condições climáticas será crucial para o comportamento dos índices de inflação nos próximos meses.
Para os produtores rurais e agentes do mercado, esse cenário reforça a importância de monitorar os custos de produção e as tendências de preços das commodities, fatores que impactam diretamente a rentabilidade das atividades agropecuárias ao longo da safra de 2026.











