Previa: O agronegócio do Paraná ganha um novo impulso com a criação do FIDC Agro Paraná, que transforma créditos de ICMS em financiamento para agroindústrias, como a Frivatti. Essa inovação promete ampliar o acesso ao crédito rural e fortalecer a cadeia produtiva.
O agronegócio paranaense está passando por uma transformação significativa com a implementação do primeiro Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) no âmbito do programa FIDC Agro Paraná. Esta iniciativa, conduzida pelo escritório Martinelli Advogados, possibilitou que a agroindústria Frivatti, focada na suinocultura, convertesse créditos acumulados de ICMS em liquidez financeira, abrindo novas oportunidades para investimentos e expansão de suas operações.
Esse modelo de financiamento representa um avanço importante para o setor agropecuário do Paraná, ao utilizar mecanismos do mercado de capitais para facilitar o acesso ao crédito rural. O programa se destaca como uma referência para cooperativas e empresas do agronegócio, promovendo uma nova forma de captação de recursos.
Novo modelo de crédito amplia alternativas para o agronegócio paranaense
O FIDC Agro Paraná é considerado um dos principais instrumentos estaduais para incentivar o financiamento privado no setor rural. Com potencial para movimentar bilhões de reais, a iniciativa busca estabelecer parcerias entre o governo, cooperativas, instituições financeiras e empresas do agronegócio.
A proposta é inovadora, permitindo que empresas convertam ativos financeiros, como direitos creditórios e créditos tributários, em recursos disponíveis para investimentos. Essa abordagem visa complementar as linhas tradicionais de crédito rural, ampliando as opções para o setor.
Walter Fritzke, Head de Mercado de Capitais do Martinelli, ressalta que a operação da Frivatti serve como um exemplo de como cooperativas e agroindústrias podem acessar crédito de maneira inovadora, destacando a importância dessa estruturação para o setor.
Como créditos de ICMS foram convertidos em recursos para investimentos
A operação foi marcada pela conversão de créditos acumulados de ICMS em participação no fundo de investimento. Utilizando o sistema SISCRED do Governo do Paraná e com base no Decreto Estadual 9.951/25, a estrutura jurídica permitiu que esses créditos tributários fossem usados como contrapartida para a aquisição de cotas do FIDC, com a Fomento Paraná como cotista principal.
Essa estratégia possibilitou transformar um ativo que antes estava contabilizado como um crédito em capital disponível, permitindo que a Frivatti financiasse projetos, fortalecesse operações e ampliasse sua capacidade produtiva.
Estrutura do FIDC aumenta segurança para investidores
Para garantir a viabilidade do fundo, o Martinelli Advogados desenvolveu uma estrutura financeira que atende às normas da Resolução CVM 175. Essa estrutura inclui diferentes classes de cotas, cada uma com níveis distintos de risco e prioridade de recebimento.
As classes de cotas são divididas em sêniores, mezaninos e subordinadas, proporcionando maior proteção aos investidores e criando mecanismos de segurança para atrair capital privado. O fundo foi estruturado com um prazo de até dez anos, seguindo critérios rigorosos de governança e controle de riscos.
Modelo pode ser replicado por cooperativas e agroindústrias
A operação da Frivatti estabelece um precedente para outras empresas do agronegócio que buscam alternativas ao financiamento convencional. A possibilidade de utilizar créditos tributários e recebíveis como base para captação de recursos pode impulsionar investimentos em diversas áreas, como produção, armazenagem e tecnologia.
A aprovação do FIDC Agro Paraná também reforça a conexão entre o agronegócio e o mercado financeiro, criando novas oportunidades para empresas que possuem ativos, mas enfrentam desafios de liquidez.
Mercado de capitais ganha espaço no financiamento do agro
A utilização de fundos de investimento em direitos creditórios está se consolidando como uma alternativa estratégica para o agronegócio brasileiro. Ao combinar recebíveis e ativos financeiros com instrumentos regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os FIDCs ampliam as fontes de financiamento e reduzem a dependência do crédito bancário tradicional.
Esse modelo representa uma nova fase na busca por recursos, promovendo uma maior integração entre agricultura, indústria e instituições financeiras. A operação da Frivatti ilustra como a inovação financeira pode transformar créditos parados em capital produtivo, fortalecendo a competitividade do agronegócio paranaense.











