Previa: O mercado de feijão no Brasil enfrenta um cenário complexo, com a retenção dos produtores e uma oferta de qualidade mais seletiva, resultando em uma fase de descoberta de preços.
O mercado brasileiro de feijão encerra a semana em um contexto desafiador, caracterizado pela diminuição da oferta disponível para negociação e uma maior seletividade por parte dos produtores. As diferenças nos padrões de qualidade se tornam cada vez mais evidentes, impactando diretamente a formação de preços.
No segmento do feijão carioca, a combinação da retenção na origem com a escassez de lotes de alta qualidade permitiu uma nova rodada de formação de preços. Contudo, essa movimentação não representa uma mudança estrutural no mercado, uma vez que a demanda ainda se mostra cautelosa.
Comportamento do Vendedor e Formação de Preços
De acordo com Evandro Oliveira, analista da Safras & Mercado, a principal alteração se deu no comportamento dos vendedores. Após um período em que aceitaram preços mais baixos devido à necessidade de liquidez, os produtores agora estão gerenciando melhor suas vendas, separando lotes por qualidade e mostrando menos disposição para negociar a preços anteriormente praticados.
A reação dos vendedores já é visível nas principais regiões produtoras. No interior de São Paulo, os negócios estão sendo fechados a R$ 276 por saca de 60 quilos, enquanto no Triângulo Mineiro os preços variam entre R$ 255 e R$ 260. Em Mato Grosso, os valores chegam a R$ 220 por saca.
Embora a diferença de preços entre as regiões continue significativa, a resposta simultânea das principais origens sugere que a pressão para a queda de preços está perdendo força. No entanto, é crucial distinguir entre os preços pedidos e os efetivamente negociados, pois a quantidade de negócios ainda é insuficiente para estabelecer novos padrões nacionais.
Qualidade como Fator Decisivo
Com a diminuição da oferta negociável, os atributos de qualidade se tornaram ainda mais relevantes na formação dos preços. Aspectos como cor, peneira e rendimento comercial estão ampliando a diferença entre os lotes de alta qualidade e aqueles considerados comerciais.
Essa disparidade entre a oferta física e a disponível para negociação pode ser determinante para o comportamento do mercado nas próximas semanas. Enquanto isso, o feijão preto mantém uma dinâmica mais equilibrada, com preços em torno de R$ 213 por saca no Oeste de Santa Catarina e R$ 234 no interior paulista.
A demanda pelo feijão preto permanece moderada, com a indústria evitando aumentar estoques e priorizando compras imediatas. Essa postura defensiva limita a liquidez e reduz a possibilidade de repasses rápidos de aumentos de preços ao consumidor.
Expectativas para a Terceira Safra
Um fator crucial para o mercado é o avanço da terceira safra de feijão 2025/26, que já alcançou 60% da área colhida. A produção no Centro-Sul é estimada em 545 mil toneladas, superando as 501,8 mil toneladas da safra anterior. Embora isso indique uma maior entrada de produto no mercado, não garante a disponibilidade de feijão de alta qualidade.
O clima seco pode favorecer a ocorrência de lotes mais ressecados, aumentando a diferença entre os produtos comerciais e os de qualidade superior. Assim, a chegada da terceira safra deve aumentar a oferta, mas a qualidade do feijão continuará sendo um ponto de atenção.
As perspectivas para o segundo semestre indicam que o feijão carioca pode estabilizar, com tentativas de alta nos lotes superiores, dependendo da retenção dos produtores e da confirmação dos preços atuais. Para o feijão preto, a tendência é de um mercado lateral, com menor potencial de valorização imediata.
O cenário futuro dependerá da evolução da colheita, do comportamento dos produtores e da necessidade de reposição da indústria, que serão fundamentais para determinar se a recuperação do feijão se tornará mais robusta ou permanecerá restrita aos lotes de qualidade superior.











