Prévia: O Brasil alcançou um marco histórico nas exportações de carne bovina, mas enfrenta desafios significativos com a China e a União Europeia que podem impactar o desempenho no segundo semestre de 2026.
As exportações de carne bovina e subprodutos do Brasil atingiram o melhor desempenho do primeiro semestre da história em 2026, consolidando o país como um dos principais fornecedores globais de proteína animal. No entanto, o cenário para a segunda metade do ano é incerto, com a cota de exportação para a China esgotada e a possibilidade de suspensão das compras pela União Europeia.
De acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), as vendas externas totalizaram US$ 9,929 bilhões entre janeiro e junho, um aumento de 33,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em volume, os embarques somaram 1,811 milhão de toneladas, marcando um crescimento de 7,3% e estabelecendo novos recordes tanto em faturamento quanto em quantidade exportada.
Desafios com a China e a União Europeia
A China foi o principal destino da carne bovina brasileira, respondendo por quase metade das receitas de exportação. As vendas para o país asiático alcançaram US$ 4,818 bilhões, um aumento de 50,3% em relação ao ano anterior. Contudo, a cota anual de importação da China, fixada em 1,106 milhão de toneladas, já foi completamente utilizada, resultando na interrupção das exportações a partir de julho.
Estima-se que o Brasil poderá perder cerca de US$ 4 bilhões em vendas para a China ao longo de 2026, uma vez que as exportações não poderão ser realizadas sem a aplicação de tarifas adicionais. A expectativa é que uma nova cota seja estabelecida apenas em 2027, o que pode impactar severamente o desempenho das exportações brasileiras.
Outro fator preocupante é a possibilidade de embargo da União Europeia, que implementará novas exigências sanitárias a partir de setembro. O Brasil ainda negocia um modelo de certificação para atender a essas exigências, mas a falta de um acordo pode levar ao fechamento temporário desse mercado, que já aumentou suas compras em 35,26% no primeiro semestre.
Mercados Alternativos e Oportunidades
Enquanto a China e a União Europeia apresentam riscos, outros mercados estão se fortalecendo. Os Estados Unidos se tornaram o segundo maior comprador de carne bovina brasileira, com um aumento de 14,76% nas importações, totalizando US$ 1,465 bilhão. O crescimento nas vendas para os EUA é impulsionado pela exclusão da carne bovina das novas tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
Diversos outros países também ampliaram suas compras, incluindo Chile, Rússia, Hong Kong, Arábia Saudita e Egito. Ao todo, 118 países aumentaram as importações de carne bovina brasileira, enquanto 55 reduziram, evidenciando um processo de diversificação das exportações.
Com a estratégia de diversificação comercial, o agronegócio brasileiro busca mitigar os impactos das incertezas no mercado internacional. A Abrafrigo acredita que a expansão das vendas para mercados da América do Norte, Oriente Médio, Ásia, África e América do Sul poderá ajudar a manter o ritmo de crescimento do setor, mesmo diante dos desafios impostos por novas regulamentações e disputas comerciais.
O desempenho recorde registrado até junho destaca a competitividade da carne bovina brasileira e a importância do agronegócio nacional no abastecimento do mercado global de proteínas, mesmo em um cenário repleto de desafios.











