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Exportação de café do Brasil cresce 9,9% em julho, mas acumula queda de 5,9% em 2026

As exportações de café do Brasil apresentaram crescimento em julho, mas o acumulado do ano revela uma queda significativa. O setor enfrenta desafios logísticos e climáticos que podem impactar...

Exportação de café do Brasil cresce 9,9% em julho, mas acumula queda de 5,9% em 2026

Previa: As exportações de café do Brasil apresentaram crescimento em julho, mas o acumulado do ano revela uma queda significativa. O setor enfrenta desafios logísticos e climáticos que podem impactar a produção e os embarques nos próximos meses.

As exportações de café do Brasil mostraram um desempenho positivo em julho, com um total de 3,03 milhões de sacas de 60 quilos embarcadas, representando um aumento de 9,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No entanto, essa alta mensal não foi suficiente para reverter a tendência de queda acumulada no ano, que registra uma diminuição de 5,9% no volume exportado até julho de 2026.

A receita cambial também sofreu uma queda significativa, totalizando US$ 903,9 milhões em julho, o que representa uma redução de 13,2% em comparação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, a receita foi de US$ 7,449 bilhões, 13,1% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Desafios na colheita e logística

O resultado de julho ficou aquém das expectativas do setor, que contava com um avanço mais robusto da colheita. O presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, destacou que o atraso na colheita do café arábica, causado por chuvas em regiões produtoras, limitou a oferta para exportação. Além disso, a infraestrutura portuária continua a ser um obstáculo, com problemas logísticos que aumentam os custos para os exportadores.

Os gargalos nos portos impactam diretamente o planejamento das operações, gerando despesas adicionais com armazenagem e detenção. A expectativa é que, com a colheita avançando, os embarques possam acelerar a partir da segunda quinzena de agosto.

Perspectivas de recuperação no segundo semestre

Apesar do desempenho negativo até julho, o Cecafé acredita que há potencial para uma recuperação nas exportações ao longo do ano. A capitalização dos produtores, impulsionada por preços elevados nas últimas safras, pode levar a uma estratégia de comercialização mais cautelosa, permitindo vendas em momentos de preços mais favoráveis.

Outro fator que pode contribuir para a recuperação é a expectativa de aumento nas compras dos Estados Unidos, que até agora apresentaram uma queda superior a 30% nas importações de café brasileiro em 2026. A retirada das tarifas sobre os cafés brasileiros pode estimular esse mercado, que continua sendo o principal destino das exportações.

Queda nos preços e nos cafés diferenciados

Além da redução no volume exportado, a queda na receita cambial está relacionada ao preço médio do café. Entre janeiro e julho de 2026, o preço médio foi de US$ 356,45 por saca, uma diminuição de 7,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa diminuição no preço médio ajuda a explicar a queda mais acentuada na receita em comparação ao volume exportado.

Os cafés diferenciados, que incluem produtos de maior qualidade, também enfrentaram desafios, com uma queda de 26,5% nas exportações. Apesar disso, esse segmento ainda representa um valor agregado significativo, com um preço médio de US$ 419,57 por saca, gerando uma receita total de US$ 1,468 bilhão, que corresponde a 19,7% da receita total do café exportado.

Com o Porto de Santos concentrando 70,9% dos embarques, a infraestrutura portuária continua a ser um ponto crítico para as exportações. O setor aguarda com expectativa o desempenho das exportações nos próximos meses, especialmente com a aceleração da colheita e a possível recuperação das compras pelos principais mercados consumidores.

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