Thaiane Maciel fala sobre ativismo e carreira
Em 2000, a televisão brasileira estava cheia de novos nomes e diversos atores mirins conquistaram o carinho do público com suas atuações. Contudo, muitos desses jovens artistas decidiram investir em outros aspectos de suas carreiras fora da indústria do entretenimento, como é o caso de Thaiane Maciel, por exemplo.
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Para quem não se lembra, Thaiane Maciel ficou famosa por interpretar Juliana em “Malhação” (2005), na TV Globo. No entanto, antes de Malhação, ela estreou nas novelas em “Agora É Que São Elas” (2003), escrita por Ricardo Linhares. Nessa produção, ela interpretou a personagem Fátima.
Ainda que tenha feito muito sucesso nas telinhas, a artista vem seguindo novos rumos longe das novelas brasileiras. Atualmente, aos 33 anos, ela tem ganhado cada vez mais relevância como ativista ambiental, mas não é “só” isso.
Conforme ela mesma gosta de dizer, Thaiane não se considera apenas ativista ou artista. Na verdade, ela se vê como uma mulher “múltipla”. Em conversa exclusiva com o iG, a Engenheira Ambiental, formada na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), fez questão de destacar que não abandonou a carreira como atriz.
“Eu não me vejo só como ativista ou engenheira, eu acho que eu sou uma pessoa múltipla. Eu gosto de combinar arte com meio ambiente, e eu acho que esse é o caminho para a gente mudar as coisas”, afirmou. Ao falar sobre uma possível volta para as telinhas, Thaiane destacou:
“Eu não deixei a atuação, só estou dando uma pausa no momento, mas se surgir um convite super bacana, eu estou aberta”, Thaiane Maciel.
Além da Engenharia Ambiental, a ex-atriz de Malhação também é formada na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras), no Rio de Janeiro, o que deixa ainda mais clara sua paixão pela arte. Sendo assim, ao comentar sobre sua lembrança mais querida da telenovela e como aquela experiência a ajudou a ser quem é hoje, Thaiane deixou claro que teve uma infância muito inspiradora.
Thaiane Maciel fez sucesso nas telinhas
“Outro dia revi Bambulua com Angélica, onde interpretei a Clárian com 6 anos de idade. A Juliana também tinha muita espontaneidade. As gravações eram um espaço de inovação e criatividade, onde eu podia imaginar novos mundos. Hoje, uso essa bagagem artística no meu trabalho de consultoria para comunicar a preservação ambiental de forma clara e envolvente”, explicou.
Logo, ela acredita ter o mesmo objetivo como artista ou engenheira: “Fazer com que a mensagem chegue e gere impacto. Uso a criatividade do palco para propor soluções inovadoras para os desafios ecológicos atuais”.
Assim como outros colegas de profissão que se afastaram das tramas, como Felipe Latgé, Pedro Malta, Amanda Azevedo e Cecília Dassi, Thaiane revelou quando foi o momento exato que sentiu aquele estalo e a “virada de chave”, ao perceber que o seu palco não seria apenas o teatro ou as telinhas.
Thaiane Maciel em Malhação da TV Globo
“Não gosto de me definir por apenas uma caixa. Antes da pandemia, eu estava em São Paulo totalmente focada no teatro e em testes para novelas, após me formar em Engenharia Ambiental pela UFRJ e em Teatro pela CAL. Com a paralisação das produções, voltei ao Rio e a realidade do lixo na Baía de Guanabara me convocou. Fundamos o Canal Novo Mundo – Instituto Ecocria, mas minha atuação foi além do ativismo”, disse.
Ao comentar sobre os seus últimos seis anos, a ex- Globo explicou que consolidou sua carreira como Engenheira e Consultora Ambiental, unindo a técnica científica à comunicação, que veio da arte. “Hoje, finalizo uma pesquisa na Alemanha pela Fundação Alexander von Humboldt, focada em inovação e economia circular com plásticos retirados dos oceanos, além do Mestrado em Clima em Potsdam“, acrescentou.
Embora esteja vivendo uma nova etapa de sua vida, Thaiane continua nutrindo seu amor pela televisão: “A atuação nunca saiu de mim; gravei um comercial recentemente na Alemanha e quero expandir meu trabalho como atriz. Atuar é uma vocação que complementa meu olhar clínico sobre o mundo. Para as empresas que consulto, trago esse diferencial: a visão técnica da engenharia aliada à capacidade de comunicação de uma artista”.
Ex-Globo é formada em Engenharia Ambiental
Premiada e reconhecida pela ONU e Unesco
Ao comentar sobre os prêmios que recebeu da ONU e da Unesco por recolher toneladas de lixo, a ex- Malhação refletiu sobre o que acha mais gratificante: o reconhecimento internacional ou o momento em que vê um lugar sendo restaurado.
Sincera, Thaiane Maciel disse ser muito gratificante ter o seu trabalho reconhecido por organizações tão importantes, mas o que a move é ver o resultado na prática. “Trabalhar com empresas me mostrou que a mudança sistêmica depende de unirmos forças: a conscientização individual e a responsabilidade corporativa. Não quero apenas retirar resíduo da praia; quero implementar soluções de consultoria que impeçam que esse lixo chegue lá!”, afirmou.
Assim como outras tantas profissões, essa jornada também enfrenta muitos desafios, e Thaiane Maciel enxerga as pessoas e o senso de comunidade como seu combustível. “Ficar sabendo que fui questão de prova da minha irmã de 16 anos me emocionou profundamente, pois mostra que o exemplo arrasta. Ninguém faz nada sozinho”, afirmou.
“Hoje, sou inspirada por mulheres cientistas com quem trabalho, como a Dra. Ricarda Winkelmann aqui na Alemanha, e a Prof. Marinez Scherer da UFSC. Também olho muito para pioneiras como Jane Goodall e Sylvia Earle, que desbravaram a proteção ambiental com coragem. Elas provam que a ciência e a paixão devem caminhar juntas para transformar o mundo”, destacou.
Ao refletir sobre o seu passado e um conselho para a “Juliana” de 2005, sua personagem de Malhação, Thaiane disse:
“Eu diria: siga o que faz seu coração bater, seja nas artes, nas ciências ou na união das duas. Não tenha medo de ser múltipla. É plenamente possível trabalhar com propósito, pagando as contas e cuidando do planeta ao mesmo tempo. Aproveite as oportunidades internacionais e o intercâmbio de conhecimento, mas mantenha sua essência criativa”, Thaiane Maciel.
“O ‘chegar lá’ não existe; o que existe é o agora e como você usa sua voz, seja em um set de gravação ou em uma conferência climática, para construir um futuro onde a natureza e a humanidade coexistam em equilíbrio. Faça por você, seja curiosa e encontre felicidade no processo”, concluiu.














