Previa: Porto Alegre se mobiliza neste sábado (15) em defesa da diversidade religiosa com a Marcha dos Quimbandeiros e o Encontro Internacional de Quimbandeiros, destacando a luta contra a intolerância religiosa no Brasil.
A intolerância religiosa é um tema que ganha destaque em Porto Alegre, onde eventos como a Marcha dos Quimbandeiros e o Encontro Internacional de Quimbandeiros buscam promover a diversidade e a aceitação das religiões de matriz africana. Neste sábado, 15 de agosto, a cidade se torna palco de uma manifestação significativa, reunindo praticantes e simpatizantes dessas tradições.
Os eventos, que ocorrem simultaneamente, contam com a liderança de Pai Ricardo de Oxum, um babalorixá respeitado e presidente da Sociedade Beneficente Cultural Oxum e Oxalá. Ele destaca a importância da marcha, que chega à sua terceira edição, e do encontro, que completa 19 anos, como formas de resistência e afirmação cultural.
Contexto da Intolerância Religiosa
O Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com a maior proporção de adeptos das religiões de matriz africana, segundo o Censo Demográfico de 2022. Contudo, essa diversidade convive com um histórico de intolerância, evidenciado por casos de discriminação e violência contra praticantes. Pai Ricardo ressalta que o encontro foi criado em resposta a essa realidade, onde a liberdade de expressão religiosa é frequentemente cerceada.
“Por muitos anos, não podíamos nos manifestar livremente nas ruas. A marcha é uma forma de mostrar que a Quimbanda e outras religiões de matriz africana são legítimas e merecem respeito”, afirma o sacerdote. O evento visa não apenas celebrar a cultura, mas também educar a sociedade sobre a riqueza e a diversidade dessas tradições.
Dados do Disque 100, que registra denúncias de intolerância religiosa, revelam que as religiões de matriz africana são as mais afetadas. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, foram registradas 2.774 denúncias, com um número significativo de casos relacionados à Umbanda e ao Candomblé, evidenciando o racismo religioso estrutural presente na sociedade.
Espaço para a Diversidade
O Encontro Internacional de Quimbandeiros será realizado em um espaço cedido pela prefeitura de Porto Alegre, um gesto que simboliza um avanço na luta pela aceitação e reconhecimento das religiões afro-brasileiras. “É um marco histórico ter um monumento de Exu em céu aberto, que representa a nossa cultura e espiritualidade”, destaca Pai Ricardo.
Além de promover a união entre praticantes, os eventos também buscam desmistificar figuras como Exu e Pomba-Gira, frequentemente mal interpretadas. Pai Ricardo enfatiza que essas entidades são mensageiras do bem e não devem ser associadas a conceitos negativos. “O mal está na cabeça do ser humano, não nas entidades que representam a nossa cultura”, explica.
A marcha deste ano deve reunir cerca de 2 mil pessoas, que se unirão em um manifesto contra a intolerância, com música, danças e cartazes. “É um momento de compartilhar experiências, relatar preconceitos e celebrar a diversidade religiosa”, conclui Pai Ricardo.
Os eventos em Porto Alegre não apenas reafirmam a importância da luta contra a intolerância religiosa, mas também promovem um espaço de diálogo e respeito entre diferentes crenças, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.











