Previa: Um estudo da UNESP revela que a escolha da braquiária no consórcio com milho pode impactar significativamente a produtividade e a rentabilidade da lavoura. A braquiária híbrida Mavuno se destaca em comparação à Urochloa ruziziensis, garantindo melhores resultados para os produtores.
A escolha da forrageira para o consórcio com milho é um fator crucial que pode influenciar diretamente a produtividade e a rentabilidade da lavoura. Um estudo realizado na UNESP de Jaboticabal (SP) identificou diferenças significativas entre a braquiária híbrida Mavuno e a Urochloa ruziziensis quando cultivadas em conjunto com o milho. Os resultados indicam que a seleção correta da braquiária pode ser determinante para o sucesso do cultivo.
Os dados obtidos mostram que o milho consorciado com a braquiária Mavuno manteve uma produtividade equivalente à do milho cultivado de forma isolada. Em contrapartida, o sistema que utilizou a ruziziensis apresentou uma queda de aproximadamente 13% na produção de grãos. Essa diferença representa uma perda significativa, com uma média de 1.332 quilos de milho por hectare, ou cerca de 22 sacas por hectare.
Impacto econômico da escolha da braquiária
A pesquisa, intitulada “A consorciação com braquiárias e a adubação nitrogenada afetam o desempenho do milho?”, foi conduzida pela engenheira agrônoma Tainá Garcia Paiares, sob a orientação do professor Anderson Prates Coelho. O estudo não apenas avaliou a produtividade, mas também considerou o impacto econômico da escolha da forrageira.
Com base no preço médio de R$ 65,55 por saca, apurado pelo Indicador ESALQ/BM&FBovespa, as 22 sacas adicionais por hectare associadas ao sistema com Mavuno poderiam gerar uma receita bruta adicional de aproximadamente R$ 1.450 por hectare. Em uma propriedade de 100 hectares, essa diferença pode resultar em um aumento de cerca de R$ 145 mil na receita bruta, evidenciando a importância da escolha da forrageira.
Os resultados também destacam que a escolha da braquiária deve ser feita considerando não apenas o custo da semente, mas também o seu comportamento no consórcio. A interação entre a forrageira e a cultura do milho pode ter um impacto significativo sobre a produtividade e a rentabilidade da propriedade.
Desempenho agronômico e interação entre culturas
O estudo revelou que o desempenho superior do Mavuno pode ser atribuído ao seu crescimento inicial mais equilibrado, o que reduz a competição com o milho por recursos essenciais como luz, água e nutrientes. Em contraste, a ruziziensis apresentou um crescimento inicial mais agressivo, aumentando a competição e afetando negativamente a produtividade do milho.
Além disso, a pesquisa mostrou que o Mavuno também se destacou na produção de biomassa, acumulando 14.280 kg de matéria seca por hectare, em comparação aos 9.603 kg da ruziziensis. Essa característica é especialmente relevante em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), onde a formação de massa vegetal é fundamental para a sustentabilidade do sistema produtivo.
Os resultados obtidos pela UNESP reforçam a necessidade de um planejamento cuidadoso na escolha da braquiária para o consórcio com milho. A decisão deve levar em conta não apenas a produção de massa, mas também o ciclo, a velocidade de crescimento e a capacidade de competição da forrageira com a cultura principal.
Em suma, a pesquisa destaca que o sucesso do consórcio milho-braquiária depende da escolha adequada da forrageira e do planejamento do sistema como um todo. Para os produtores, essa decisão pode resultar em maior eficiência econômica e preservação do rendimento do milho, além de contribuir para a sustentabilidade da produção agrícola.











