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Especialistas destacam importância do protagonismo indígena na restauração de terras degradadas

No Dia da Amazônia, especialistas ressaltam a importância da restauração de terras degradadas em áreas indígenas, destacando a necessidade de um enfoque que vá além do simples plantio de árvores.

Indígenas da Amazônia catalogam 15 mil espécies para proteger biodiversidade

Previa: No Dia da Amazônia, especialistas ressaltam a importância da restauração de terras degradadas em áreas indígenas, destacando a necessidade de um enfoque que vá além do simples plantio de árvores.

A restauração de terras degradadas em territórios indígenas é uma questão urgente, especialmente em um momento em que o Brasil se compromete a recuperar mais de 163 mil quilômetros quadrados até 2030. Essa iniciativa não se limita ao plantio de árvores, mas envolve a proteção de nascentes, a segurança alimentar e a valorização dos conhecimentos tradicionais das comunidades indígenas.

Dados do TerraClass de 2022 revelam que as terras indígenas na Amazônia acumulam 952,3 mil hectares de áreas degradadas, além de 840,5 mil hectares de vegetação secundária. Juntas, essas áreas representam um potencial de restauração de 1,79 milhão de hectares. Apesar das pressões, esses territórios permanecem entre os mais conservados do Brasil, com apenas 1,7% da perda de vegetação nativa ocorrendo dentro deles, segundo o Relatório Anual do Desmatamento do MapBiomas de 2026.

O papel dos povos indígenas na restauração

Diana Nascimento, indígena do povo Kaingang e especialista da The Nature Conservancy Brasil (TNC), enfatiza que a participação ativa das comunidades indígenas é fundamental para o sucesso das iniciativas de restauração. Para ela, a definição de restauração deve incluir a relação das pessoas com o território, suas culturas e modos de vida.

“Quando os povos indígenas assumem o protagonismo, a restauração passa a ser vista como um processo que envolve a recuperação de espécies importantes, alimentos e conhecimentos tradicionais”, explica Diana. Essa abordagem amplia a visão sobre o que significa restaurar, indo além da mera contagem de hectares recuperados.

Definindo áreas prioritárias para restauração

Um dos desafios na restauração de terras indígenas é a definição das áreas prioritárias. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desenvolveu um sistema integrado de informações para auxiliar na tomada de decisões sobre conservação e restauração. Essa ferramenta considera diversos fatores, como degradação, segurança hídrica e biodiversidade.

Guillermo Florez Montero, da TNC Brasil, explica que o sistema permite combinar variáveis e atribuir pesos conforme os objetivos de cada projeto. Assim, áreas com potencial para gerar benefícios, mesmo que não sejam as mais degradadas, podem ser priorizadas. Contudo, ele ressalta que a decisão final deve sempre respeitar a vontade das comunidades locais.

Restauração como recuperação cultural

A restauração de terras também é uma oportunidade para recuperar conhecimentos tradicionais sobre sementes, ciclos naturais e manejo de solos. Diana destaca o papel crucial das mulheres indígenas na conservação de sementes e na produção de alimentos, afirmando que valorizar esse conhecimento pode fortalecer a segurança alimentar e a resiliência das comunidades.

“Quando conhecimentos tradicionais e técnicos dialogam, encontramos soluções mais adequadas às características de cada território”, afirma. A restauração, portanto, é vista como um processo que vai além do ambiental, englobando a recuperação de práticas culturais e relações com o território.

Prevenção de novos impactos

As ações de restauração devem estar interligadas à prevenção de novos impactos, como a mineração e a expansão de pastagens. O sistema desenvolvido pela Funai considera a gestão ambiental e territorial indígena, a disponibilidade de água e a vulnerabilidade às mudanças climáticas. Essa abordagem está alinhada à Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI).

Diana conclui que fortalecer as comunidades indígenas é essencial para a conservação dos recursos naturais e para enfrentar as pressões externas. “Territórios com governança fortalecida têm maior capacidade de responder aos impactos das mudanças climáticas e de conservar seus recursos”, finaliza.

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