Previa: A educação a distância (EaD) no Brasil é dominada por instituições privadas, com 95,9% das matrículas concentradas nesse setor. A crescente demanda por EaD reflete a limitação da oferta pública e a necessidade de acesso ao ensino superior em diversas regiões do país.
A expansão da educação a distância no Brasil tem sido impulsionada principalmente pelo setor privado. Dados da 15ª edição do Mapa do Ensino Superior revelam que 95,9% das matrículas em cursos de graduação EaD pertencem a instituições particulares. Essa predominância destaca a importância do ensino a distância como uma alternativa viável para muitos brasileiros.
Nos últimos 11 anos, a participação do EaD no ensino superior saltou de menos de 20% para 50,7% das matrículas, representando um crescimento de 153,5%. Em 2024, pela primeira vez, as matrículas em cursos a distância superaram as do ensino presencial, evidenciando uma mudança significativa no panorama educacional do país.
Desafios do Ensino Público
O Censo da Educação Superior 2024 indica que cerca de 43,1 milhões de brasileiros, ou 20,3% da população, dependem do ensino a distância para acessar uma graduação. Em 2,3 mil municípios, o ensino superior está disponível apenas por meio da internet, o que ressalta a importância da modalidade para a inclusão educacional.
A pesquisadora Andréia Mello Lacé, da Universidade de Brasília (UnB), aponta que a expansão do ensino a distância privado é resultado das limitações enfrentadas pela oferta pública. A maior parte dos cursos públicos de EaD está vinculada ao Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), criado em 2006, que busca ampliar o acesso ao ensino superior.
Apesar da capilaridade da UAB, que conta com mais de 150 instituições e cerca de 800 cursos, o modelo enfrenta desafios estruturais. A dependência de editais e financiamentos específicos compromete a continuidade das atividades e a qualidade do ensino, conforme destaca Andréia.
Os investimentos no sistema público de EaD variaram significativamente nos últimos anos, caindo de R$ 276 milhões em 2014 para R$ 109 milhões em 2022. Essa redução impactou diretamente o número de bolsistas, que despencou de 41.418 para 6.660, refletindo a fragilidade do sistema.
Embora os investimentos tenham começado a crescer novamente, alcançando R$ 249 milhões em 2025, o sistema ainda não recuperou os níveis anteriores. Regiões como Norte e Nordeste continuam a apresentar o menor número de bolsistas da UAB, evidenciando a desigualdade no acesso à educação.
Para Andréia, é crucial que o Brasil desenvolva uma estrutura pública permanente para a educação a distância, com financiamento estável e um corpo docente próprio. Essa abordagem poderia atender melhor as regiões onde a oferta presencial é insuficiente e garantir que o acesso ao ensino superior seja uma realidade para todos.











