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Brasil é cobrado a cumprir meta de restaurar 163 mil km² de terras até 2030

O Brasil se comprometeu a restaurar 163 mil quilômetros quadrados de terras degradadas até 2030, mas especialistas alertam para a necessidade de ações concretas para cumprir essa meta.

Prévia: O Brasil se comprometeu a restaurar 163 mil quilômetros quadrados de terras degradadas até 2030, mas especialistas alertam para a necessidade de ações concretas para cumprir essa meta. A pressão aumenta após a COP17, onde o país foi cobrado por resultados efetivos.

Durante a recente COP17, realizada em Ulaanbatar, na Mongólia, o Brasil recebeu elogios por sua meta de restaurar 163 mil quilômetros quadrados de terras degradadas até 2030. No entanto, essa promessa vem acompanhada de cobranças para que se torne uma realidade, enfrentando os desafios ambientais que o país enfrenta.

A especialista em sistemas alimentares da WWF Global, Luiza Soares, destacou que, embora a meta seja “ambiciosa”, é crucial que ela seja traduzida em resultados concretos. Segundo ela, a implementação requer uma abordagem integrada que una conservação e restauração de ecossistemas, recuperação de áreas degradadas e manejo sustentável do solo.

Soares enfatiza a importância de incluir as comunidades que dependem dessas terras, especialmente em regiões onde a degradação impacta a segurança alimentar e hídrica.

Pedro Sena, conselheiro executivo da Rede para Restauração da Caatinga (ReCaa), ressaltou que a sociedade deve acompanhar e fiscalizar o compromisso do Brasil. Ele defende um monitoramento contínuo para avaliar o progresso em relação aos compromissos de conservação do solo assumidos na conferência.

“Nosso foco deve ser monitorar a situação de perto, para que possamos avaliar e entender, ano a ano, como estamos evoluindo”, afirmou Sena.

Compromisso em números

A restauração proposta pelo Brasil integra as metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN), um compromisso voluntário de mais de 130 países. Para atingir a meta de 163 mil km², o Brasil planeja recuperar a vegetação nativa e investir em sistemas agroflorestais, além de ações em áreas de preservação e bacias hidrográficas.

O país utiliza 2020 como referência, quando havia 55,7 milhões de hectares com tendência à degradação. Para cumprir o compromisso de neutralidade, deve manter pelo menos essa área até 2030. Além disso, ações de prevenção e manejo sustentável estão previstas para outros 3,51 milhões de km².

Caatinga em destaque

O Consórcio Nordeste, que reúne os nove estados da região, apresentou projetos de restauração da Caatinga na COP17, buscando aumentar os investimentos no semiárido. Um memorando de entendimento foi assinado com a UNCCD para dar maior visibilidade ao bioma e promover cooperação técnica.

O secretário executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, considera o documento um passo importante para aumentar o protagonismo da região na luta contra a degradação. Ele expressou confiança de que isso abrirá canais para concretizar projetos do Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica.

A secretária adjunta da UNCCD, Andrea Meza, elogiou o papel do Brasil na busca por soluções para problemas relacionados à terra. Ela destacou a importância do Nordeste na construção de políticas de combate à desertificação e restauração de terras, considerando a formalização da cooperação um avanço significativo.

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