Previa: Débora Falabella retorna ao Festival de Cinema de Gramado com o longa-metragem “Pele de Rinoceronte”, que aborda a violência contra a mulher e a relevância do feminicídio no Brasil contemporâneo. A atriz reflete sobre suas experiências pessoais e a importância de discutir esses temas na sociedade atual.
Quase 25 anos após receber o Kikito por sua atuação em “Françoise”, Débora Falabella volta ao Festival de Cinema de Gramado para apresentar “Pele de Rinoceronte”. No filme, dirigido por Marcello Ludwig Maia, a atriz interpreta Helena, uma jornalista que investiga o assassinato de Ângela Diniz, ocorrido em 1976. A obra não se limita a reconstituir o caso, mas explora as implicações sociais e jurídicas que cercam a vida das mulheres que buscam liberdade.
Em sua participação no festival, Débora enfatizou a necessidade de manter a discussão sobre feminicídio viva. “Mais de quatro mulheres são mortas por dia no Brasil vítimas de feminicídio”, alertou a atriz, destacando a urgência do tema. O filme, embora ambientado há cinco décadas, reflete uma realidade ainda muito presente no cotidiano das mulheres brasileiras.
Teatro e Cinema: A Dualidade da Atuação
Além do cinema, Débora também se destaca no teatro com o monólogo “Prima Facie”, que retorna a São Paulo em setembro. A peça aborda a violência sexual e a perspectiva de uma advogada que, após sofrer uma agressão, se vê confrontada com a realidade que antes defendia. A atriz, premiada por sua performance, revela que esse trabalho a fez refletir sobre suas próprias experiências de violência.
Em uma entrevista, Débora compartilhou que, ao longo de sua vida, vivenciou abusos que muitas vezes não reconheceu como tal. “Vivi abusos e violências que naturalizei”, afirmou, ressaltando a importância de dar voz a essas experiências. A atriz acredita que, ao discutir esses temas, é possível ajudar outras mulheres a reconhecerem suas próprias vivências.
O filme “Pele de Rinoceronte” não apenas revisita um caso emblemático, mas também provoca uma reflexão sobre a misoginia que permeia a sociedade. Débora destaca que as personagens do filme, ao se envolverem com a história de Ângela, começam a perceber a violência e a desigualdade em suas próprias vidas. Essa autoanálise é crucial para a transformação social.
A atriz também comentou sobre a evolução das leis relacionadas à violência contra a mulher no Brasil. Embora o feminicídio tenha sido reconhecido como crime autônomo apenas em 2024, Débora observa que a luta pela igualdade de gênero e pela proteção das mulheres ainda enfrenta muitos desafios. “A existência de leis não garante que todas as mulheres tenham acesso a elas de maneira igual”, concluiu.
Por fim, ao retornar ao Festival de Gramado, Débora expressou sua emoção em participar de um evento tão significativo para o cinema brasileiro. “É muito emocionante estar aqui para a primeira exibição de ‘Pele de Rinoceronte’, ao lado da equipe do filme”, disse, refletindo sobre a importância de contar histórias que abordam questões sociais relevantes.











