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Sabores da Amazônia impulsionam bioeconomia em gelateria de Santarém

Em Santarém, no Pará, a Boto Gelato tem se destacado ao oferecer sorvetes artesanais feitos com ingredientes da Amazônia, promovendo a bioeconomia local e valorizando a cultura regional.

Sabores da Amazônia impulsionam bioeconomia em gelateria de Santarém

Previa: Em Santarém, no Pará, a Boto Gelato tem se destacado ao oferecer sorvetes artesanais feitos com ingredientes da Amazônia, promovendo a bioeconomia local e valorizando a cultura regional.

Com a chegada do período de chuvas em Santarém, os clientes da Boto Gelato começam a aparecer em busca de refresco. O estabelecimento, localizado no centro da cidade, é conhecido por seus sorvetes artesanais que utilizam produtos típicos da Amazônia, como açaí e cupuaçu.

A gerente comercial Eloísa Bento é uma das frequentadoras que não perde a oportunidade de saborear os gelatos. Para ela, a experiência é única, pois os sabores remetem a memórias de infância, destacando a autenticidade dos ingredientes utilizados.

Sabores Regionais

Entre as opções oferecidas, o Treme Treme combina maracujá, pimenta, cupuaçu e jambu, enquanto o Carimbó traz uma mistura de tapioca, doce de cupuaçu e castanha-do-pará. Tiago Silva, o criador dos sabores, enfatiza a importância de utilizar ingredientes frescos e regionais para garantir a qualidade e a autenticidade dos produtos.

Tiago, que fundou a Boto Gelato em 2016, destaca a diferença que um gelato artesanal pode fazer em termos de textura e sabor. Ele observa a reação dos clientes que experimentam os sabores amazônicos pela primeira vez, surpreendendo-se com a qualidade da castanha-do-pará, que muitas vezes é comparada ao pistache, um ingrediente importado e caro.

Os dados de 2024 revelam que o Brasil importa 100% do pistache que consome, enquanto a castanha-do-pará é um produto típico da Amazônia, com a produção concentrada em estados como Acre, Amazonas e Pará, que juntos representam cerca de 80% da produção nacional.

Cadeia Produtiva e Sustentabilidade

Tiago Silva, com o apoio do Sebrae, compreendeu a importância de integrar seu negócio à cultura e à biodiversidade local. O nome Boto Gelato faz referência ao boto, um símbolo da região, e à Festa do Sairé, que celebra a cultura local.

Para garantir a qualidade dos ingredientes, Tiago prioriza a compra de produtos em feiras e de pequenos produtores da região. Ele visita o Mercadão 2000, um importante centro de abastecimento em Santarém, onde a agricultura familiar e o extrativismo sustentável são a base das dinâmicas de produção.

O Mercadão 2000, fundado em 1985, é um espaço que abriga cerca de 250 feirantes, promovendo a venda de produtos naturais e fortalecendo a economia local. A trabalhadora Kelly Reis Roque, que vende frutas da sua propriedade, observa que a valorização dos produtos regionais tem atraído a atenção de novos estabelecimentos, como sorveterias e pousadas.

Esse ciclo econômico, que vai do campo ao mercado e chega até a gelateria, mostra como um produto simples pode movimentar toda uma cadeia produtiva, beneficiando tanto os produtores quanto os consumidores.

Tiago expressa sua gratidão por poder colaborar com as famílias que fornecem os ingredientes e sonha em levar os sabores da Amazônia para o mundo, ressaltando a importância da preservação do território e da cultura local.

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