Prévia: O Brasil tem se destacado no cenário internacional de exportações de grãos, impulsionado por rigorosos controles fitossanitários. Essa estratégia não apenas garante a qualidade dos produtos, mas também reduz as notificações de não conformidades nos mercados externos.
O fortalecimento dos controles fitossanitários é um fator crucial para a competitividade das exportações brasileiras de grãos. Com investimentos em tecnologia, capacitação técnica e monitoramento, o Brasil mantém baixos índices de notificações internacionais, mesmo com o aumento das vendas externas de soja e milho. No primeiro semestre de 2026, o agronegócio brasileiro alcançou um recorde de exportações, totalizando US$ 87,1 bilhões, impulsionado pela demanda global e pela eficiência dos sistemas de produção.
Amostragem de grãos é um desafio para a certificação
Fátima Parizzi, consultora técnica da ABIOVE e da ANEC, destaca que a obtenção de amostras representativas de grandes lotes para exportação é um dos principais desafios do setor. O elevado volume das cargas dificulta o acesso uniforme, tornando essencial a adoção de protocolos rigorosos para garantir que as amostras reflitam com precisão os lotes exportados.
Essa etapa é vital para identificar não conformidades antes do embarque e assegurar que as exigências fitossanitárias dos países importadores sejam atendidas. O monitoramento contínuo e a limpeza dos grãos nos armazéns são práticas que contribuem para a preservação da qualidade do produto.
Pragas quarentenárias e monitoramento constante
As pragas quarentenárias, que podem causar danos econômicos e sanitários, exigem atenção especial nas exportações. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) regulamentou uma lista com 12 pragas prioritárias para a China, maior importadora da soja brasileira, incluindo espécies como carrapicho e capim-farpado.
Apesar das exigências rigorosas, os índices de notificações permanecem baixos. Entre maio de 2024 e maio de 2025, foram registradas 1.046 notificações em carregamentos de soja e 39 em embarques de milho para a China, representando menos de 1% dos Certificados Fitossanitários Internacionais emitidos.
Impactos de interceptações e a importância do controle
Embora as notificações sejam baixas, interceptações em países de destino podem gerar impactos logísticos e financeiros significativos para as empresas exportadoras. Alterações nas rotas de navios, atrasos e custos adicionais são algumas das consequências que podem afetar a reputação do Brasil como fornecedor confiável de alimentos.
Para mitigar esses riscos, o setor investe em programas de prevenção e monitoramento, além de buscar constantemente a atualização técnica. O compartilhamento de notificações é fundamental para avaliar a eficiência das medidas adotadas ao longo da cadeia produtiva.
Tecnologia e inovação na qualidade dos grãos
O investimento em tecnologia é uma prioridade para as empresas do setor, que buscam elevar os padrões de qualidade. Equipamentos automáticos de classificação de grãos estão sendo utilizados para identificar impurezas e materiais estranhos, contribuindo para a eficiência dos processos.
Além disso, a transformação de grandes volumes de dados em informações estratégicas permite aprimorar continuamente os processos e fortalecer a rastreabilidade dos produtos destinados ao mercado interno e externo.
Conferência sobre pós-colheita e exportação de grãos
Os desafios da identificação de pragas e dos processos de certificação serão discutidos na IX Conferência Brasileira de Pós-Colheita, que ocorrerá entre 12 e 14 de agosto em Carambeí (PR). O evento reunirá especialistas e representantes do setor para abordar temas como inovação, qualidade e segurança fitossanitária.
Com a crescente exigência dos mercados internacionais, a adoção de tecnologias e protocolos rigorosos de inspeção será decisiva para manter a competitividade do agronegócio brasileiro e ampliar sua presença no comércio global de alimentos.











