Previa: A pecuária brasileira está se adaptando às novas demandas de sustentabilidade, com o uso crescente de modelos de produção livres de antibióticos. A MFG Agropecuária, em Mato Grosso, é um exemplo dessa transformação, destacando-se no cenário internacional.
A transformação na pecuária brasileira é impulsionada pelas exigências de consumidores e mercados internacionais. Nesse contexto, práticas que reduzem ou eliminam o uso de antibióticos promotores de crescimento estão se tornando cada vez mais relevantes, colocando o Brasil na vanguarda da produção sustentável de carne bovina.
Um exemplo notável é a unidade da MFG Agropecuária, localizada em Tangará da Serra (MT), que opera há cinco anos sem antibióticos e antimicrobianos. Este modelo pioneiro no país não apenas se tornou uma referência técnica, mas também conquistou a certificação Fair Food, que reconhece boas práticas de produção e bem-estar animal.
Modelo de Produção e Expansão da Estratégia
Atualmente, apenas uma das seis unidades da MFG utiliza o sistema livre de antibióticos, mas a empresa planeja expandir essa prática. O projeto serve como uma plataforma de validação tecnológica, permitindo que as demais operações do grupo adotem gradualmente esse modelo inovador.
Além de eliminar a virginiamicina, substância proibida na União Europeia, a MFG está desenvolvendo alternativas nutricionais para substituir a monensina sódica, buscando garantir a eficiência e a segurança das dietas dos animais.
Essas mudanças são parte de um compromisso mais amplo com a sustentabilidade e a eficiência, alinhando-se às demandas do mercado global de proteína animal, que cada vez mais exige práticas responsáveis.
Desafios e Oportunidades no Mercado Internacional
Nos principais países que importam carne bovina brasileira, a monensina não é considerada um antibiótico de uso humano restrito, com exceção da União Europeia, que possui regras mais rigorosas. No entanto, a tendência global é de um controle mais rigoroso sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
De acordo com Adriano Umezaki, gerente técnico de Nutrição da MFG, o setor está passando por uma mudança estrutural, onde as novas exigências internacionais estão acelerando a adoção de estratégias nutricionais modernas e sustentáveis.
Eliminar antibióticos promotores de crescimento requer mais do que simplesmente retirar produtos da dieta dos animais. A MFG implementa protocolos rigorosos de manejo e formulação nutricional precisa, garantindo a saúde dos bovinos e a qualidade da carne produzida.
Certificações e o Futuro da Pecuária
A certificação Fair Food é um reconhecimento importante das práticas sustentáveis adotadas pela MFG. Além da eliminação de antibióticos, a certificação abrange critérios de bem-estar animal, responsabilidade socioambiental e transparência nos processos produtivos.
Analistas do setor acreditam que certificações como essa se tornarão cada vez mais relevantes, especialmente com a crescente pressão de consumidores e varejistas por sistemas de produção mais sustentáveis e rastreáveis.
Com 18 anos de atuação, a MFG já confinou milhões de animais em suas unidades espalhadas por diversos estados. O grupo tem se destacado por suas práticas inovadoras e por oferecer aos pecuaristas parceiros acesso a bonificações e mecanismos de proteção de preços, aumentando a competitividade no mercado.
A experiência da MFG Agropecuária demonstra uma tendência crescente na pecuária brasileira: a produção de carne bovina baseada em inovação, rastreabilidade e bem-estar animal. À medida que os mercados se tornam mais exigentes, a adoção de práticas sustentáveis não é apenas um diferencial, mas uma necessidade estratégica para a competitividade da carne brasileira no cenário internacional.











