Previa: Coletivos esportivos LGBTQIA+ estão se tornando refúgios de segurança e inclusão, promovendo a prática esportiva e a construção de laços afetivos entre seus membros. Iniciativas como o Trans No Corre e o Monta Mona mostram como o esporte pode ser um espaço de resistência e acolhimento.
O esporte, cada vez mais, se transforma em uma prática coletiva, onde grupos de corrida, ciclismo e outras atividades físicas se tornam oportunidades para socialização e fortalecimento de laços. No entanto, a realidade para a comunidade LGBTQIA+ ainda é marcada por desafios, como a LGBTfobia, que afeta 85% dos participantes, segundo um levantamento da Nix Diversidade em parceria com a Nike. Essa exclusão faz com que muitos busquem alternativas seguras para se exercitar.
Para enfrentar essa barreira, coletivos autônomos têm surgido como espaços de acolhimento. Fabrício Addeo Ramos, diretor da Nix, destaca que essas iniciativas são fundamentais para garantir o acesso ao esporte. Desde 2021, a organização já mapeou mais de 250 coletivos inclusivos em quase todos os estados do Brasil, refletindo uma necessidade crescente de ambientes seguros e confortáveis.
Espaços de pertencimento e resistência
Um exemplo é o Trans No Corre, fundado por Patty Furtado Lima e outras pessoas trans que se conheceram em grupos de corrida. Patty, que sempre teve uma relação forte com o esporte, sentiu-se excluída ao iniciar sua transição. Em 2022, ela e suas colegas criaram um espaço onde podem se exercitar sem medo de discriminação. Os treinos acontecem na Praça Roosevelt, um local simbólico, e são divididos em diferentes níveis para atender a todos os participantes.
Outro coletivo que se destaca é o Monta Mona, fundado por Natalia Nato, que começou de forma descontraída e cresceu rapidamente. Com mais de 395 membros, o grupo promove passeios de bicicleta pela cidade, sempre priorizando a segurança e a inclusão. Natalia ressalta que ser ciclista e LGBT em São Paulo traz desafios, mas o coletivo oferece suporte e um ambiente acolhedor para todos.
Além de promover a prática esportiva, esses coletivos atuam como redes de apoio social. Patty Micheletti afirma que o Trans No Corre vai além da corrida; é sobre as relações que se constroem dentro do grupo, onde os membros se ajudam em diversas áreas da vida. Fabrício Ramos complementa que o esporte, quando inclusivo, transforma vidas e gera um impacto positivo na saúde e bem-estar dos participantes.
Apesar do crescimento desses coletivos, a luta por ambientes esportivos mais acolhedores continua. Fabrício enfatiza a importância de academias e assessorias esportivas adotarem uma postura mais humanizada, promovendo diálogo e escuta. Um esporte inclusivo não apenas democratiza o acesso, mas também cumpre seu papel transformador na sociedade.











