Amelia Abraham: Colocar “sex” no título foi uma escolha deliberada — e não porque sexo vende. Na verdade, é o oposto: acho que, apesar da visibilidade queer, ainda vivemos em um clima puritano quando se trata de sexo, e especialmente de sexo queer. Eu queria colocar em primeiro plano como o prazer, a intimidade e a expressão sexual têm sido centrais na vida noturna queer desde o início, sem deixar de fora imagens de kink, cruising ou sex clubs, frequentemente considerados o lado menos “palatável” da vida queer. “Clubs” entrou porque me interessa a arquitetura dos espaços, mas também o elemento social, a forma como formamos amizades e encontramos nossa gente. Há fotos de boates e espaços vazios no livro, e elas são quase perturbadoras — são as pessoas que fazem o espaço, é claro. “Dissent” foi importante porque acredito que a vida noturna é um espaço político. Muito do ativismo na era do HIV/Aids nasceu da vida noturna, e eu queria considerar protestos e performances como uma forma de vida noturna queer também. Para mim, “dissent” é uma referência à contracultura, à forma como esses espaços podem desafiar o que é aceito pela maioria e fomentar novas visões ou ideias.











