Previa: A colheita do café no Sul de Minas Gerais enfrenta atrasos significativos devido a chuvas excessivas, comprometendo tanto a quantidade quanto a qualidade da safra 2026.
A colheita do café na região Sul de Minas Gerais está passando por um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos. Em junho, as chuvas superaram a média histórica, resultando em apenas 30% da produção colhida até o início de julho, um número consideravelmente inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Um levantamento do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), que entrevistou 32 técnicos de campo, revelou que quase todas as lavouras da região foram afetadas pelas condições climáticas adversas. O impacto das chuvas foi sentido em aproximadamente 900 propriedades cafeeiras, que enfrentaram dificuldades significativas na colheita.
Excesso de chuvas reduz ritmo da colheita
O volume de precipitações em junho foi o principal responsável pelo atraso na colheita. Dados da Fundação Procafé indicam que o município de Varginha registrou 64 milímetros de chuva, o dobro da média histórica de 32,4 milímetros desde 1974. Essa quantidade de chuva dificultou o avanço das máquinas e interrompeu a colheita manual, elevando os custos operacionais e complicando o planejamento das fazendas.
Os técnicos do ATeG informaram que 97% das propriedades monitoradas enfrentaram paralisações. Dentre elas, 47% ficaram com a colheita interrompida por até dez dias, enquanto 43% registraram paradas de até cinco dias e 9% enfrentaram interrupções superiores a dez dias.
Umidade aumenta risco de perda de qualidade do café
Além de atrasar a colheita, as chuvas elevam o risco de perda na qualidade do café. Segundo Guilherme Ferreira Marques, supervisor do Programa ATeG, tanto a colheita mecanizada quanto a manual precisam ser suspensas durante períodos de chuva. A umidade excessiva pode causar a queda de frutos, aumentar a necessidade de colheita manual e dificultar a secagem dos grãos, especialmente em propriedades sem secadores mecânicos.
Esse ambiente úmido favorece o desenvolvimento de fungos, o que pode comprometer a qualidade da bebida e a classificação do café destinado a mercados mais exigentes.
Floração antecipada e desafios futuros
Outro efeito das chuvas foi a floração antecipada em pelo menos 213 propriedades. Esse fenômeno preocupa especialistas, pois pode comprometer a uniformidade do ciclo produtivo da próxima safra, dificultando o manejo e aumentando os desafios durante a colheita futura.
Na Fazenda Lagoinha, em Lagoa da Prata, a floração ocorreu durante a colheita, embora a propriedade já estivesse com os trabalhos adiantados. Mesmo assim, as chuvas interromperam as atividades por uma semana.
Com a colheita avançando lentamente e previsões de novas instabilidades climáticas, os produtores permanecem atentos ao comportamento do tempo. O manejo adequado da pós-colheita e a secagem eficiente dos frutos são considerados essenciais para preservar a qualidade do café mineiro, que é a principal origem da produção nacional destinada ao mercado interno e às exportações.











