Previa: A certificação RTRS se torna um ativo valioso para produtores de soja, promovendo sustentabilidade e acesso a mercados exigentes. Essa mudança representa uma nova era para o agronegócio brasileiro, onde práticas responsáveis se traduzem em oportunidades comerciais.
A sustentabilidade no agronegócio deixou de ser uma mera exigência ambiental e passou a ser um diferencial competitivo. No setor de soja, a certificação da Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS) se destaca como uma ferramenta essencial para produtores que buscam se adaptar a um mercado em constante evolução, onde a rastreabilidade e a responsabilidade social são cada vez mais valorizadas.
Além de atestar práticas de preservação ambiental e conformidade trabalhista, o selo RTRS está se consolidando como um ativo comercial. Isso ocorre em um contexto de crescente demanda por produtos sustentáveis e créditos de carbono, que incentivam práticas agrícolas responsáveis e transparentes.
Certificação RTRS fortalece produtores e propriedades rurais
Um exemplo significativo desse avanço é o Clube Amigos da Terra (CAT), localizado em Sorriso, Mato Grosso. Desde 2013, a organização tem trabalhado em parceria com a RTRS, começando com nove propriedades certificadas e expandindo para 58, que agora abrangem mais de 680 mil hectares de soja.
De acordo com a presidente do CAT, Márcia Becker Paiva, a certificação trouxe melhorias na gestão das propriedades, valorização dos colaboradores e adoção de práticas ambientais mais eficientes. Essa transformação demonstra que é possível aumentar a produção agrícola sem comprometer os recursos naturais.
Selo RTRS amplia competitividade da soja brasileira
Em Mato Grosso, empresas de sementes também estão se adaptando a essa nova realidade. A Petrovina Sementes, por exemplo, conquistou recentemente a certificação RTRS, após auditorias que avaliaram sua cadeia produtiva em relação a critérios como desmatamento zero e boas práticas de gestão agrícola.
Tiago Rodrigues de Souza, coordenador de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Petrovina, destaca que a certificação não apenas promove a sustentabilidade, mas também gera ganhos organizacionais, facilitando o cumprimento das exigências regulatórias e aumentando a confiabilidade dos produtos no mercado.
Crédito de carbono transforma sustentabilidade em oportunidade econômica
A certificação RTRS também abre portas para o mercado de créditos de carbono. Tiago Rodrigues menciona que a certificação já possibilitou à Petrovina acessar mecanismos financeiros sustentáveis, criando novas oportunidades de valorização da produção.
O selo RTRS se tornou um critério importante nas negociações comerciais, especialmente entre grandes compradores e tradings, aumentando a confiança dos consumidores e fortalecendo a posição da soja brasileira no mercado internacional.
Petrovina lança semente de soja carbono zero
Como parte de sua estratégia de sustentabilidade, a Petrovina Sementes lançou a Primepro Eco, a primeira linha de sementes de soja carbono zero do mundo. O projeto visa neutralizar as emissões geradas durante todo o ciclo produtivo, desde o plantio até o transporte.
O coordenador de Tecnologia Agrícola, Pedro Mokfa, explica que a metodologia inclui o levantamento das emissões de máquinas agrícolas e o uso de fertilizantes, entre outros fatores. Após calcular as emissões totais, a empresa compensa por meio da aquisição de créditos de carbono.
Sustentabilidade se transforma em diferencial para o agronegócio
A certificação RTRS e as iniciativas de descarbonização estão moldando uma nova realidade para o agronegócio brasileiro. Atender a padrões internacionais não é apenas uma questão ambiental, mas uma oportunidade para agregar valor e conquistar novos mercados.
Com a crescente demanda por cadeias produtivas transparentes e responsáveis, certificações como a RTRS se tornam cada vez mais relevantes na estratégia comercial do agronegócio, refletindo um compromisso com a sustentabilidade e a competitividade no cenário global.











