Previa: O mercado de carne suína no Brasil enfrentou um recuo nos preços em junho, refletindo uma oferta confortável e uma postura cautelosa da indústria. A análise aponta para um equilíbrio entre oferta e demanda, mas sem espaço para recuperação significativa das cotações.
Em junho, o setor de carne suína no Brasil apresentou uma tendência de queda nos preços, influenciada pela postura cautelosa da indústria e uma oferta considerada confortável em diversas regiões. Essa situação resultou em um mercado onde a demanda não foi suficiente para absorver os excedentes, limitando a recuperação dos preços.
Indústria cautelosa e oferta estável
De acordo com o consultor de mercado Allan Maia, da Safras & Mercado, a disponibilidade de suínos foi adequada para atender a demanda, o que diminuiu a pressão sobre os preços ao longo da cadeia produtiva. No atacado, a variação dos preços dos cortes também contribuiu para a dificuldade de recuperação das cotações.
Embora a carcaça tenha apresentado uma leve valorização em alguns momentos, outros cortes, como o pernil, enfrentaram quedas significativas. Essa oscilação nos preços reforça a fragilidade do mercado, que ainda não encontrou um impulso suficiente para se recuperar.
Queda nos preços do suíno vivo
O levantamento da Safras & Mercado indicou que o preço médio do suíno vivo no Centro-Sul caiu 2,35% em junho, passando de R$ 5,38/kg para R$ 5,25/kg. As variações regionais mostraram um cenário misto, com algumas regiões apresentando estabilidade, enquanto outras registraram quedas.
- São Paulo: arroba estável em R$ 102,00
- Rio Grande do Sul: queda de R$ 5,70 para R$ 5,15/kg
- Santa Catarina: recuo de R$ 5,70 para R$ 5,05/kg
- Paraná: estabilidade em R$ 5,00/kg e queda na integração de R$ 5,75 para R$ 5,50/kg
- Mato Grosso do Sul: baixa de R$ 5,15 para R$ 5,10/kg
- Goiás: alta de R$ 5,35 para R$ 5,50/kg
- Minas Gerais: avanço no interior de R$ 5,60 para R$ 5,90/kg
- Mato Grosso: estabilidade em Rondonópolis a R$ 5,50/kg e queda na integração de R$ 5,70 para R$ 5,05/kg
Exportações como suporte ao setor
As exportações de carne suína in natura continuam a ser um fator positivo para o setor, embora não tenham sido suficientes para alterar a tendência de queda nos preços internos. Em junho, o Brasil exportou 84,663 mil toneladas, gerando uma receita de US$ 212,827 milhões.
Apesar do desempenho positivo nas exportações, houve uma queda em relação ao mesmo período do ano anterior, com recuos de 5,2% na receita diária e 1% no volume diário. O preço médio também apresentou uma diminuição de 4,3%, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Perspectivas para o futuro do mercado suíno
O cenário atual indica um equilíbrio entre oferta e demanda, mas com uma tendência levemente baixista no curto prazo. A indústria permanece cautelosa nas compras, enquanto o mercado externo oferece um suporte parcial aos preços, sem força suficiente para provocar uma reversão significativa.
A expectativa é que o comportamento do consumo interno e o ritmo das exportações desempenhem papéis cruciais no desempenho do mercado nas próximas semanas, especialmente em um contexto de oferta confortável em várias regiões produtoras. A atenção dos agentes do setor estará voltada para esses fatores, que poderão influenciar a dinâmica de preços no futuro próximo.











