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Cancelamentos se tornam mais rápidos e menos impactantes, afirmam especialistas

O fenômeno do cancelamento, que ganhou notoriedade nas redes sociais nos últimos anos, está passando por transformações significativas, segundo especialistas em comunicação.

Cancelamentos se tornam mais rápidos e menos impactantes, afirmam especialistas

O fenômeno do cancelamento, que ganhou notoriedade nas redes sociais nos últimos anos, está passando por transformações significativas, segundo especialistas em comunicação. Casos emblemáticos, como o de Karol Conká, eliminada do Big Brother Brasil 21 com 99,17% dos votos, e as polêmicas envolvendo Viih Tube e Eliezer, ex-participantes do mesmo reality, ilustram como a cultura do cancelamento evoluiu. Enquanto Conká enfrentou ameaças a familiares após sua eliminação em 2021, os ex-BBBs lidaram com a repercussão negativa de uma competição entre empregados domésticos, mas sem sofrer perdas significativas em suas carreiras.

De acordo com Carol Govari, doutora em comunicação, o cancelamento não perdeu força, mas passou a operar de maneira mais fragmentada e acelerada, frequentemente ligada a perfis de fofoca e fandoms. “As mobilizações coletivas se tornaram mais comuns, mas os episódios de cancelamento tendem a ser mais passageiros e menos danosos”, explica. A especialista observa que a ideia de cancelamento como uma sentença definitiva está se enfraquecendo, embora as disputas de reputação e a pressão pública continuem a ser relevantes.

Transformações na Cultura do Cancelamento

O cenário atual contrasta com o passado, quando o cancelamento resultava em consequências severas, como perda de contratos e credibilidade. No caso de Viih Tube e Eliezer, apesar das críticas e de um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), eles conseguiram se reerguer rapidamente. Essa mudança reflete uma nova dinâmica nas redes sociais, onde a atenção do público é cada vez mais fragmentada. “A palavra ‘cancelamento’ passou a ser usada para situações muito diferentes, o que pode produzir a sensação de banalização”, afirma Govari.

Maiara Orlandini, também doutora em comunicação, destaca que o crescimento do número de influenciadores e a popularização das redes sociais contribuíram para a normalização do cancelamento. “Nos anos 2000, não havia tantas pessoas com influência digital, e as mobilizações políticas eram mais separadas entre o online e o offline”, comenta. A crescente conexão da sociedade com a internet, especialmente durante a pandemia, alterou a forma como as pessoas interagem e reagem a controvérsias.

O Impacto da Economia da Atenção

Um dos fatores que explicam a rapidez das mobilizações de cancelamento é a teoria da economia da atenção. Com a atenção humana sendo limitada, as plataformas digitais competem por esse recurso escasso, fazendo com que polêmicas surjam e desapareçam rapidamente. Em 2025, uma pesquisa da YouGov revelou que 51% dos americanos acreditavam que a cultura do cancelamento havia ido longe demais. “Hoje, é difícil manter a atenção do público em um único episódio de cancelamento por muito tempo”, reflete Orlandini.

Além disso, a percepção de que os linchamentos virtuais estão perdendo intensidade pode estar ligada à retomada da rotina coletiva após a pandemia. A biblioteconomista Dulce Hirli sugere que, com o retorno à vida social, as pessoas estão menos focadas nas redes sociais. “Estamos começando a perceber que talvez haja uma diminuição dos cancelamentos, pois voltamos a ter nossas vidas de volta”, afirma.

Entretanto, o fenômeno do cancelamento ainda possui características particulares. As “marcas digitais” deixadas por publicações antigas podem ressurgir a qualquer momento, como ocorreu com o cantor Livinho, que enfrentou uma nova onda de críticas após uma apresentação no Tiny Desk. Esse aspecto ressalta que, apesar da aparente diminuição da intensidade do cancelamento, os riscos associados à reputação online permanecem presentes.

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