Previa: O cenário cambial pode mudar no segundo semestre de 2026, trazendo novas oportunidades para o agronegócio brasileiro. Um relatório do Rabobank aponta que a desvalorização do real pode beneficiar as exportações de commodities.
O câmbio continua sendo um fator crucial para o agronegócio nacional em 2026. Após um primeiro semestre em que o real se valorizou frente ao dólar, as perspectivas para os próximos meses indicam mudanças que podem impactar a competitividade das exportações brasileiras.
De acordo com o relatório AgroInfo 2026, divulgado pelo Rabobank, a valorização da moeda brasileira teve efeitos variados entre os diferentes setores do agronegócio. Enquanto alguns segmentos se beneficiaram da redução nos custos de insumos importados, muitos exportadores enfrentaram margens de lucro comprimidas devido à conversão desfavorável das receitas em dólar.
Desafios e Oportunidades no Mercado de Commodities
As commodities como soja, milho, algodão e celulose foram as mais afetadas pela valorização do real. Apesar dos preços internacionais elevados, os produtores brasileiros não conseguiram refletir esses valores em suas receitas, resultando em uma estabilidade nos preços em reais.
No mercado da soja, por exemplo, mesmo com cotações altas em Chicago, os preços internos permaneceram praticamente inalterados devido à combinação da valorização da moeda e à diminuição dos prêmios de exportação.
Para o segundo semestre, o Rabobank prevê um possível enfraquecimento do real, o que poderia favorecer as exportações. Segmentos como celulose, soja e carnes têm a expectativa de se tornar mais competitivos no mercado internacional, especialmente se os preços internacionais se mantiverem favoráveis.
Impactos Variados nas Cadeias Produtivas
Embora a desvalorização do real possa trazer benefícios, o impacto não será o mesmo para todos os setores. No milho, por exemplo, a valorização da moeda já é vista como um obstáculo para a competitividade das vendas externas, especialmente em relação a países como Estados Unidos e Argentina.
No caso da soja, o câmbio continua a ser um fator determinante na formação de preços, ao lado dos prêmios de exportação e das cotações da Bolsa de Chicago. Portanto, a gestão de risco se torna essencial para os produtores e demais agentes do agronegócio.
O Rabobank destaca a necessidade de monitoramento constante dos mercados e a adoção de estratégias eficazes de gestão de risco. Com a volatilidade cambial e as incertezas geopolíticas, a atenção às condições macroeconômicas globais será fundamental para a rentabilidade dos negócios no setor.
O segundo semestre de 2026 promete ser um período de maior sensibilidade às condições econômicas, exigindo que os agentes do agronegócio estejam preparados para tomar decisões comerciais e financeiras informadas e estratégicas.











