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Café: safra robusta pressiona preços do arábica e exportações de robusta disparam

O Brasil vive uma fase de transição no mercado de café, com uma safra robusta que impacta os preços do arábica e impulsiona as exportações do robusta.

Café: safra robusta pressiona preços do arábica e exportações de robusta disparam

Previa: O Brasil vive uma fase de transição no mercado de café, com uma safra robusta que impacta os preços do arábica e impulsiona as exportações do robusta. O relatório do Rabobank revela as dinâmicas que moldam o setor neste momento.

O mercado brasileiro de café está passando por mudanças significativas, impulsionadas por uma colheita promissora e alterações no comércio internacional. O relatório AgroInfo de junho de 2026, publicado pelo Rabobank, destaca que a combinação de uma oferta crescente e ajustes na demanda global está pressionando os preços do café arábica, enquanto o robusta (conilon) se destaca nas exportações e nas misturas utilizadas pela indústria.

Expectativa de produção e impacto nos preços

A previsão do Rabobank é de que a produção total de café no Brasil atinja 73,3 milhões de sacas na safra de 2026, com 46,7 milhões de sacas de arábica e 26,6 milhões de sacas de robusta. Esse aumento na oferta tem contribuído para a pressão sobre os preços, que já apresentam uma queda significativa.

Os preços do café arábica, por exemplo, sofreram uma desvalorização de 16,5%, caindo de cerca de US$ 2,40 para US$ 2,00 por libra-peso. Em contraste, o robusta se mostrou mais resistente, com uma queda de apenas 2,4%, passando de US$ 3.800 para US$ 3.700 por tonelada.

Exportações em movimento

As exportações brasileiras de café também revelam uma mudança na dinâmica do comércio internacional. Em maio, os embarques de arábica totalizaram 2,12 milhões de sacas, uma queda de 5,9% em relação a abril e de 11,9% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Por outro lado, as exportações de robusta cresceram 21% em relação a abril, alcançando 601 mil sacas, e apresentaram um impressionante aumento de 195% em relação ao ano passado.

Esse crescimento nas exportações de robusta reflete uma alteração temporária na composição dos blends utilizados pela indústria global, que agora conta com uma maior participação dessa variedade. Contudo, a desvalorização do arábica e a nova safra brasileira podem levar a uma recuperação gradual da participação do arábica nas misturas internacionais.

Principais mercados e desafios futuros

O relatório aponta que a Europa continua sendo o principal destino do café arábica brasileiro, com a Alemanha liderando as compras, seguida pelos Estados Unidos. Para o robusta, os principais mercados incluem Colômbia, México e Reino Unido, evidenciando o aumento da demanda internacional por essa categoria.

Entretanto, um fator de preocupação para o setor é a proposta dos Estados Unidos de aumentar a tarifa de importação sobre o café solúvel de 10% para 25%. Embora a medida ainda esteja em discussão, sua aprovação poderia impactar negativamente a competitividade da indústria brasileira no mercado norte-americano.

Além disso, dados do Cecafé indicam uma queda de 17,2% nas exportações de café para os Estados Unidos entre abril e maio de 2026, com uma retração anual de 25,2%. Esses números reforçam a necessidade de monitorar as tendências do mercado e os impactos das políticas comerciais.

Clima e suas implicações

Outro aspecto que merece atenção é a possibilidade de um evento El Niño nos próximos meses. O Rabobank observa que as baixas temperaturas e as chuvas na primeira quinzena de junho atrasaram parte da colheita, mas espera-se que as condições climáticas se normalizem em breve.

Com a safra avançando e os preços sob pressão, o setor de café deve continuar a observar de perto a demanda internacional, a evolução das exportações e os efeitos das condições climáticas na produção futura.

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