Prévia: Os preços do café nas bolsas internacionais estão em queda, mas a oferta restrita e os baixos estoques continuam a sustentar o mercado. A colheita lenta e a redução das exportações brasileiras são fatores que influenciam a dinâmica do setor.
As cotações do café iniciaram a quinta-feira (16) com uma queda nas bolsas internacionais, refletindo uma correção após uma sequência de alta. Apesar dessa pressão técnica, os fundamentos do mercado permanecem robustos, com uma oferta limitada de café e estoques baixos que sustentam as cotações.
Na ICE Futures US, o contrato de café arábica para setembro de 2026 caiu 390 pontos, sendo negociado a 318,85 cents por libra-peso. O contrato para dezembro de 2026 teve uma queda ainda mais significativa, de 760 pontos, cotado a 302,35 cents/lbp. Na ICE Europe, o café robusta também apresentou queda, com o contrato de setembro de 2026 a US$ 3.851 por tonelada.
Oferta restrita continua sendo principal suporte das cotações
Embora o mercado esteja corrigindo os preços, os fatores fundamentais que sustentam o setor permanecem favoráveis. A oferta de café continua limitada, tanto no Brasil quanto no exterior, e a colheita da safra 2026 está em um ritmo mais lento, o que reduz a pressão de venda.
Os investidores estão atentos ao desempenho da safra brasileira, que é crucial para o equilíbrio entre oferta e demanda global. A baixa disponibilidade de café remanescente da safra anterior também contribui para a estabilidade dos preços nas bolsas.
Exportações brasileiras encerram ano-safra em queda
Os dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) revelam que o Brasil exportou 3,06 milhões de sacas em junho, totalizando 38,462 milhões de sacas no ano-safra 2025/26. Esse volume representa uma queda de 15,7% em comparação ao ciclo anterior.
As exportações de café arábica somaram 29,499 milhões de sacas, com uma retração de 15,31% em relação ao ano-safra anterior. No primeiro semestre de 2026, as exportações caíram 8,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
Mercado físico registra forte demanda, mas produtores vendem apenas o necessário
No mercado interno, a comercialização de café está em ritmo moderado. O Escritório Carvalhaes aponta que o interesse comprador permanece elevado, mas a oferta disponível é bastante reduzida. Os produtores estão vendendo apenas o necessário para cumprir compromissos financeiros, aguardando melhores oportunidades de preço.
Entre os desafios enfrentados na colheita estão as condições climáticas, a queda de frutos, os altos custos de produção e a dificuldade na contratação de mão de obra. Esses fatores limitam a entrada da nova produção no mercado.
Estoques certificados da ICE permanecem próximos das mínimas
Os estoques certificados de café arábica na ICE estão em níveis historicamente baixos, com 334.289 sacas, uma redução significativa em relação ao ano anterior, quando os estoques eram de 831.612 sacas. Essa escassez de oferta é um dos principais fatores que sustentam os preços globais.
Clima favorece colheita e não há previsão de geadas
As condições climáticas estão favoráveis para a colheita nas principais regiões produtoras do Brasil. As previsões indicam um tempo seco e temperaturas amenas, o que facilita tanto a colheita quanto a secagem dos grãos. Não há previsão de geadas, o que tranquiliza os produtores.
Mercado segue atento aos próximos fatores
O mercado internacional de café continua monitorando a evolução da colheita brasileira, o comportamento das exportações e o nível dos estoques. Apesar das oscilações diárias nas bolsas, a combinação desses fatores mantém um cenário de oferta apertada, limitando quedas mais acentuadas nos preços e aumentando a volatilidade nas próximas semanas.











