Os preços internacionais do café enfrentaram uma queda significativa na última semana, com a cotação do café arábica na Bolsa de Nova York registrando uma baixa de 4%. O contrato de dezembro passou de 288,15 para 276,50 centavos de dólar por libra-peso, atingindo o menor nível em mais de dois meses e meio. Essa desvalorização é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo o aumento das exportações brasileiras, boas perspectivas para a safra 2027/28 e o crescimento dos estoques certificados em Nova York, que reduziram as preocupações sobre o abastecimento imediato.
Na Bolsa de Londres, o café robusta também apresentou queda, com uma desvalorização de 4,6% no mesmo período. Embora as perdas externas tenham impactado o mercado físico brasileiro, a valorização do dólar, a demanda interna e a resistência dos produtores ajudaram a limitar a desvalorização no Brasil.
Exportações brasileiras em alta
Um dos principais fatores que contribuíram para a pressão sobre os preços foi o desempenho recorde das exportações brasileiras de café. De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o Brasil embarcou 4,16 milhões de sacas em agosto, um aumento de 31% em relação ao mesmo mês do ano anterior e o melhor resultado histórico para agosto. No total, as exportações brasileiras de café somaram 7,204 milhões de sacas no primeiro bimestre da temporada 2026/27, representando um crescimento de 21,5% em comparação com o ciclo anterior.
A receita cambial alcançou US$ 2,242 bilhões, um aumento de 4,1% na comparação anual, embora o crescimento da receita tenha sido mais modesto em relação ao volume devido à redução dos preços médios recebidos pelo produto. O ritmo das exportações continuou forte em setembro, com 1.798.317 sacas embarcadas nos primeiros dias do mês, resultando em uma média diária de 224.790 sacas, um crescimento de 51,5% em relação ao ano anterior.
Expectativas para a safra 2027/28
Além das exportações, o mercado está atento ao desenvolvimento da próxima safra brasileira. As primeiras chuvas e a boa impressão das floradas aumentaram as expectativas de um abastecimento mais confortável para a safra 2027/28. Gil Barabach, analista da Safras & Mercado, destacou que as condições climáticas favoráveis podem levar a uma recomposição dos estoques nos países importadores, o que, por sua vez, pode pressionar ainda mais os preços.
Entretanto, o mercado continua monitorando os possíveis efeitos do fenômeno El Niño, que pode trazer riscos de falta de umidade e temperaturas elevadas nos meses finais do ano. Caso as condições climáticas se tornem desfavoráveis, as expectativas atuais podem ser revistas, aumentando a volatilidade dos preços.
Impactos do clima e do câmbio
O clima no Vietnã também teve um papel importante na dinâmica do mercado, com chuvas que melhoraram as condições para a safra de robusta, contribuindo para a pressão sobre os preços internacionais. Além disso, o crescimento dos estoques certificados de café arábica na Bolsa de Nova York, após um longo período de quedas, trouxe alívio ao mercado em relação à oferta de curto prazo.
No Brasil, o ambiente financeiro, marcado por decisões de juros, influenciou as negociações. Entre 10 e 17 de setembro, o dólar comercial teve uma alta de 0,75%, tornando as exportações brasileiras mais competitivas no mercado internacional. No entanto, essa valorização também ajudou a sustentar os preços em reais no mercado físico nacional, limitando as perdas observadas nas bolsas internacionais.
Os preços do café arábica no Sul de Minas Gerais caíram de R$ 1.620 para R$ 1.580 por saca, enquanto o conilon no Espírito Santo recuou de R$ 990 para R$ 960 por saca. Para os próximos pregões, o mercado deverá continuar atento ao ritmo das exportações, ao comportamento dos estoques certificados e às condições climáticas, que permanecem como fatores cruciais para a volatilidade dos preços do café.











