Previa: Os preços do cacau enfrentam uma queda significativa nas bolsas internacionais, refletindo incertezas sobre a demanda global. Além disso, açúcar e café também registram desvalorizações, impactados por fatores climáticos e comerciais.
Os mercados de commodities agrícolas passaram por um dia de intensa volatilidade nesta quarta-feira (22). O cacau, em particular, teve uma queda expressiva nas bolsas da ICE, com investidores demonstrando cautela em relação à recuperação da demanda global por chocolate. Essa situação é agravada pela expectativa em torno dos resultados financeiros das principais indústrias do setor.
Queda acentuada nos preços do cacau
O contrato futuro do cacau negociado em Londres fechou a £ 3.971 por tonelada, apresentando uma queda de £ 202, ou 4,8% no dia. Em Nova York, a desvalorização foi ainda mais acentuada, com o preço encerrando o pregão em US$ 5.328 por tonelada, uma baixa de 5%.
A mudança de perspectiva do banco Citi, que passou de uma visão otimista para uma postura neutra em relação ao mercado do cacau, contribuiu para essa queda. O banco afirmou que não há evidências suficientes de que o fenômeno El Niño causará perdas significativas nas próximas safras, nem sinais claros de recuperação da demanda global.
Os investidores agora aguardam os balanços das principais fabricantes de chocolate, como Lindt & Sprüngli, que já sinalizou a possibilidade de reduções de preços para estimular as vendas, indicando que os altos custos das matérias-primas continuam a impactar o consumo.
Impactos no mercado de açúcar e café
No mercado de açúcar, o contrato do açúcar bruto na ICE encerrou cotado a 14,74 centavos de dólar por libra-peso, com uma queda de 0,9%. O açúcar branco também registrou uma desvalorização de cerca de 1%, fechando a US$ 464,70 por tonelada. O andamento da moagem da cana-de-açúcar na região Centro-Sul do Brasil, principal polo produtor, continua a ser monitorado.
Embora algumas áreas tenham enfrentado atrasos na colheita devido às chuvas, as previsões meteorológicas indicam um período de clima seco, o que é considerado favorável para a continuidade da colheita. Além disso, a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, incluindo açúcar, também está sendo acompanhada de perto pelo mercado.
Os contratos futuros do café também fecharam em queda, com o café arábica cotado a US$ 3,1665 por libra-peso, uma desvalorização de 1,7%. O avanço da colheita brasileira é um dos fatores que influenciam o mercado, com a Cooxupé reportando que 47,3% da safra 2026 foi colhida até 17 de julho, abaixo dos 59% do ano anterior.
Perspectivas para o mercado internacional
Os investidores permanecem atentos às questões geopolíticas que podem afetar o comércio mundial de café. As tensões diplomáticas entre os Estados Unidos e a Nicarágua levantam preocupações sobre possíveis restrições às importações de café da região. No segmento de robusta, a colheita na Indonésia está cerca de 80% concluída, o que também contribui para uma maior oferta no mercado.
O comportamento das commodities agrícolas continua a ser influenciado por uma combinação de fatores climáticos, geopolíticos e econômicos. As atenções estão voltadas para a evolução das safras nos principais países produtores e os impactos das novas tarifas comerciais dos Estados Unidos. A volatilidade dos preços do cacau, açúcar e café deve persistir nos próximos pregões, refletindo a complexidade do cenário atual do agronegócio.











