Previa: O mercado do boi gordo em São Paulo enfrenta pressão, com quedas nas cotações das fêmeas e frigoríficos operando com escalas confortáveis. As exportações de carne bovina continuam a ser um fator crucial para a sustentação do setor.
O cenário do boi gordo em São Paulo apresenta um viés de pressão nesta semana, refletindo movimentações distintas entre as categorias de animais. Os frigoríficos adotam uma postura cautelosa na formação das escalas de abate, o que impacta diretamente as negociações no mercado.
Conforme informações do informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, após recuos iniciais, o mercado mostrou estabilidade para o boi gordo comum e o “boi China”. No entanto, as fêmeas enfrentaram novas quedas, com a vaca desvalorizada em R$ 2,00 por arroba e a novilha em R$ 3,00 por arroba.
Escalas de abate e comportamento dos frigoríficos
A pressão sobre os preços é influenciada pela posição confortável das indústrias frigoríficas, que já possuem volumes suficientes para atender os abates do fim de junho. As escalas de abate estão, em média, próximas de oito dias, indicando um equilíbrio momentâneo entre oferta e demanda.
Apesar de não haver excesso de oferta, a disponibilidade de boiadas gordas é considerada adequada. Pecuaristas continuam realizando negociações, mas em um ritmo mais contido, refletindo a cautela do mercado.
Negócios abaixo das referências vigentes ainda ocorrem, mas não em volume suficiente para alterar estruturalmente os preços. A demanda interna se mantém regular, mas sem força para sustentar altas, resultando em um mercado travado e com viés de baixa, especialmente para as fêmeas.
Exportações como sustentação do setor
As exportações brasileiras de carne bovina in natura continuam em patamares elevados, embora apresentem uma desaceleração gradual ao longo de junho. A média diária exportada é de cerca de 13,4 mil toneladas, um aumento de 10,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Nos primeiros 14 dias úteis de junho, os embarques totalizaram 187,1 mil toneladas, representando 77,6% do volume exportado no mesmo mês do ano passado. O preço médio da tonelada exportada alcançou US$ 6,5 mil, uma alta de 19,8% em relação ao ano anterior.
Esse desempenho robusto nas exportações mantém a expectativa de que junho de 2026 possa registrar o maior faturamento da série histórica para o mês, com a receita acumulada já atingindo cerca de 93% do total registrado em junho de 2025.
O atual cenário do boi gordo no Brasil é caracterizado por um equilíbrio instável. Enquanto as escalas confortáveis e a pressão sobre as fêmeas persistem, as exportações fortes ajudam a sustentar o preço da arroba, limitando quedas mais intensas no mercado interno. A tendência de curto prazo dependerá do ritmo de reposição dos frigoríficos e do desempenho contínuo das exportações de carne bovina.











