A balança comercial brasileira alcançou um superávit de US$ 7,74 bilhões em setembro de 2026, marcando um crescimento expressivo de 146,4% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Esse resultado foi impulsionado principalmente pelo aumento das exportações, com destaque para produtos do setor agropecuário, como soja e café, além do petróleo e do minério de cobre. A redução nas importações também contribuiu para o saldo positivo, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
As exportações brasileiras totalizaram US$ 34,42 bilhões em setembro, representando um aumento de 12,9% em relação ao ano passado. Em contrapartida, as importações caíram 2,4%, somando US$ 26,68 bilhões. A corrente de comércio, que inclui tanto exportações quanto importações, alcançou US$ 61,10 bilhões, um crescimento de 5,6% no mesmo período. Este superávit é o segundo maior registrado para o mês de setembro na série histórica, ficando atrás apenas dos US$ 9,18 bilhões de 2023.
Desempenho do Setor Agropecuário
O setor agropecuário, em particular, teve um desempenho notável, com exportações de US$ 7 bilhões em setembro, um aumento de 4,8% em relação ao mesmo mês de 2025. As vendas de soja, um dos principais produtos do Brasil, cresceram 11,9%, enquanto as exportações de café não torrado aumentaram 8,7%. O farelo de soja também se destacou, com um crescimento expressivo de 47,7% nas exportações, refletindo a forte demanda global por produtos derivados da soja.
Além disso, a indústria de transformação, que inclui o farelo de soja, teve vendas externas que totalizaram US$ 17,67 bilhões, um aumento de 5,3%. Na indústria extrativa, as exportações chegaram a US$ 9,44 bilhões, com um crescimento significativo de 39,8%. O petróleo bruto, em particular, teve um aumento de 77,3% nas exportações, enquanto o minério de cobre cresceu 74,2%. As vendas de combustíveis, que também estão na categoria de transformação, subiram 39,1%.
Mercados Internacionais e Importações
As exportações para os Estados Unidos aumentaram 31,9% em setembro, embora ainda apresentem uma queda acumulada de 6,5% no ano. Em contraste, as vendas para a China e a União Europeia mostraram crescimento robusto, com exportações para a China totalizando US$ 84,68 bilhões, um aumento de 12%, e para a União Europeia alcançando US$ 44,15 bilhões, alta de 20%.
No lado das importações, houve uma queda significativa nas compras de bens de capital, que incluem máquinas e equipamentos, com um valor importado de US$ 4,1 bilhões, uma redução de 29,8% em relação ao ano anterior. As importações de bens intermediários também diminuíram 2,4%, enquanto as de bens de consumo cresceram 11,5%, totalizando US$ 4,3 bilhões. As importações de combustíveis, por sua vez, subiram 41,2%, alcançando US$ 3,4 bilhões, em um cenário de aumento de 58,2% nos preços.
Perspectivas e Revisões de Previsões
No acumulado de 2026, o Brasil registrou exportações de US$ 284,65 bilhões, um crescimento de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as importações totalizaram US$ 222,26 bilhões, com alta de 5%. Isso resultou em um superávit acumulado de US$ 62,4 bilhões, um aumento de 34,8% em relação ao ano anterior.
Apesar do desempenho positivo, o Mdic revisou a previsão de superávit comercial para 2026 de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões, considerando a redução das projeções para os preços do petróleo. As estimativas de exportações e importações também foram ajustadas, refletindo um cenário mais conservador para o restante do ano. Caso a nova previsão se confirme, o superávit será o segundo maior da série histórica, atrás apenas dos US$ 98,8 bilhões registrados em 2023.











