As eleições de 2026 marcaram um avanço significativo na representação feminina nos Legislativos estaduais e no Distrito Federal, com um recorde de 218 mulheres eleitas para as 1.059 vagas disponíveis. Esse número representa um aumento de 27 cadeiras em relação ao pleito anterior, realizado em 2022, e demonstra uma tendência crescente na participação política feminina ao longo dos anos.
Desde 2010, quando 138 mulheres foram eleitas, a quantidade de representantes femininas tem mostrado um crescimento constante. Em 2014, o número caiu para 119, mas a partir de 2018, a curva ascendente se consolidou, com 163 mulheres eleitas, 191 em 2022 e agora 218 em 2026. Isso equivale a 21% do total das Assembleias e da Câmara do DF, um percentual que reflete a luta por igualdade de gênero na política brasileira.
Ceará se destaca na representatividade feminina
O Ceará se destacou como um dos estados com maior porcentagem de mulheres eleitas, alcançando 30,4% do total de vagas. No total, 14 mulheres foram eleitas, representando um crescimento de 19,6% em relação ao último pleito. Outros estados que também apresentaram números acima da média nacional incluem São Paulo, com 29,8%, e Rio Grande do Norte, com 29,2%. Essa evolução é um reflexo das estratégias de mobilização e das campanhas voltadas para a inclusão feminina na política.
Além do Ceará, outros 15 estados também registraram crescimento no percentual de mulheres eleitas, incluindo Pará, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. O aumento na representação feminina é visto como um passo importante para a promoção de políticas públicas que atendam às necessidades e demandas das mulheres.
Desafios em estados como Acre e Amazonas
Por outro lado, estados como Acre e Amazonas enfrentaram uma queda significativa na representação feminina. No Acre, o número de deputadas caiu de três para zero, representando uma redução de 12,5% em relação a 2022. Essa situação é preocupante, pois reflete uma resistência à inclusão de mulheres na política local e pode impactar negativamente a discussão de pautas que envolvem os direitos femininos e a igualdade de gênero.
O Amazonas também registrou uma queda de 12,5%, evidenciando que, apesar do avanço em muitos estados, ainda há desafios a serem superados em outras regiões do país. A falta de representatividade feminina pode resultar em uma ausência de vozes que defendam questões relevantes para as mulheres, como saúde, educação e segurança.
Em estados como Maranhão e Piauí, a quantidade de mulheres eleitas se manteve estável em relação a 2022, com percentuais que variam de 8,3% a 28,6%. Essa estabilidade pode ser vista como um sinal de que, embora haja um crescimento em algumas regiões, a luta pela igualdade de gênero ainda é um desafio em várias partes do Brasil.
Em São Paulo, o crescimento foi tímido, com 28 mulheres eleitas, um aumento em relação às 26 do pleito anterior. A deputada mais votada foi Eduarda Campopiano (PL), que obteve 1.956.238 votos. Sua eleição, no entanto, foi marcada por uma plataforma contrária ao feminismo, o que levanta questões sobre a diversidade de opiniões e a representatividade das mulheres na política.
Com a nova composição das Assembleias, a presença de mulheres de diferentes espectros políticos se torna evidente. A esquerda, por exemplo, elegeu 13 mulheres, enquanto a direita e o centro somaram 11 e 4, respectivamente. Essa diversidade é crucial para garantir que diferentes vozes e experiências sejam representadas nas discussões políticas, contribuindo para um debate mais rico e inclusivo.











