Previa: O setor orizícola brasileiro enfrenta desafios significativos após perder a cota de exportação preferencial para a União Europeia. A situação levanta preocupações sobre a competitividade e a necessidade de incentivos para ampliar as vendas externas.
A recente perda do acesso à cota anual de preferência tarifária para exportação de arroz ao mercado europeu gerou preocupações no setor orizícola do Brasil. Com o limite de 6.667 toneladas esgotado, o país não consegue mais comercializar o cereal nas condições vantajosas que o bloco europeu oferece. Essa situação é especialmente crítica para Santa Catarina, onde a indústria local busca alternativas para expandir suas exportações.
O Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC) alerta que essa limitação não apenas reduz a competitividade do arroz catarinense, mas também restringe a diversificação dos mercados exportadores. Em um momento em que a crise econômica impacta a cadeia produtiva desde a safra de 2024, a busca por novos destinos se torna ainda mais urgente.
Necessidade de Políticas Públicas
Em resposta ao cenário desafiador, o SindArroz-SC enfatiza a importância de políticas públicas que incentivem a abertura de novos mercados internacionais e a criação de programas de apoio às exportações. A entidade ressalta que o arroz brasileiro é reconhecido pela sua qualidade, respaldada por rigorosos sistemas de certificação e fiscalização.
Walmir Rampinelli, presidente do SindArroz-SC, destaca que fortalecer as exportações é crucial para reduzir os estoques acumulados e ajudar na recuperação dos preços no mercado interno. Dados do Ministério do Desenvolvimento indicam que, em abril de 2026, o Brasil exportou cerca de 79 mil toneladas de arroz, mas esse volume é insuficiente para equilibrar a oferta doméstica.
Concorrência Internacional e Desafios Logísticos
Outro fator que preocupa a indústria é a crescente competitividade do Paraguai no mercado internacional de arroz. Desde a assinatura do Tratado de Assunção em 1991, o Paraguai se consolidou como um importante produtor e exportador, oferecendo preços mais baixos devido a uma carga tributária menor e custos de produção reduzidos.
A volatilidade cambial também representa um desafio. Enquanto as transações internas são feitas em reais, as exportações são negociadas em dólar, tornando-as vulneráveis às oscilações do mercado financeiro. Além disso, os altos custos logísticos e portuários dificultam a ampliação da presença do arroz brasileiro no comércio internacional.
Perspectivas para o Futuro
O SindArroz-SC defende que a adoção de programas federais voltados ao incentivo das exportações pode aumentar a competitividade do arroz nacional e facilitar o acesso a novos mercados. Medidas estruturais, como a simplificação dos processos de exportação e a redução de custos operacionais, são vistas como essenciais para garantir um escoamento mais eficiente da produção.
Com a implementação dessas estratégias, o fortalecimento das exportações pode ser um caminho viável para reduzir os excedentes acumulados e melhorar a rentabilidade da orizicultura brasileira nos próximos anos. O setor espera que ações concretas sejam tomadas para garantir a sustentabilidade e o crescimento da produção de arroz no país.











