Prévia: A digitalização da agricultura no Brasil está se expandindo rapidamente, alcançando pequenos e médios produtores. Com 84% dos agricultores utilizando tecnologias digitais, a transformação no campo promete aumentar a eficiência e a sustentabilidade na produção rural.
A agricultura digital no Brasil já não é mais uma exclusividade das grandes propriedades. De acordo com uma pesquisa realizada pela Embrapa, Sebrae e INPE, 84% dos produtores rurais adotaram algum tipo de tecnologia digital, refletindo uma mudança significativa na forma de cultivar e tomar decisões no campo. Essa transformação é especialmente notável entre pequenos e médios agricultores, com 72% dos entrevistados cultivando áreas de até 50 hectares.
As ferramentas digitais estão se tornando cada vez mais acessíveis, permitindo que os produtores monitorem condições climáticas, analisem dados e gerenciem suas lavouras de maneira mais eficaz. A digitalização tem como objetivo principal transformar informações em decisões mais precisas, utilizando sensores e plataformas de monitoramento para acompanhar fatores críticos como umidade do solo e necessidades das plantas.
Tecnologia e gestão eficiente dos recursos hídricos
Um dos benefícios mais significativos da agricultura digital é a melhoria na gestão dos recursos hídricos. Sistemas de irrigação digitalizados permitem um controle mais rigoroso sobre a quantidade de água utilizada, evitando desperdícios e garantindo que as culturas recebam o volume adequado. No caso da irrigação por gotejamento, o monitoramento possibilita ajustes rápidos e precisos, resultando em economia de água e melhor desempenho produtivo.
Segundo Danilo Silva, gerente agronômico da Netafim, a tecnologia digital ajuda os produtores a agir com mais assertividade. “Com o acompanhamento dos dados, o produtor passa a irrigar no momento correto, evitando tanto o excesso quanto a falta de água”, explica. Essa abordagem não apenas melhora a eficiência, mas também proporciona maior segurança nas operações agrícolas.
Embora a adoção de tecnologias digitais esteja crescendo, a automação ainda representa um desafio. A pesquisa revelou que 66,1% dos produtores utilizam tecnologias para obter informações e planejar, mas apenas 6% contam com sistemas automatizados. Isso indica que, embora muitos agricultores já integrem dados em suas rotinas, a automação completa ainda está em desenvolvimento.
Acessibilidade e conectividade como desafios
Um dos principais obstáculos para a expansão da digitalização no campo é a falta de conectividade. Atualmente, apenas 33,9% da área agropecuária do Brasil possui cobertura adequada de redes 4G ou 5G. Essa limitação afeta o acesso a soluções digitais em diversas regiões, especialmente nas mais remotas.
Apesar disso, empresas do setor estão trabalhando para aumentar a presença de tecnologias digitais em áreas produtivas, incluindo agricultura familiar e polos de fruticultura. A digitalização é vista como uma ferramenta essencial para tornar a produção mais eficiente e sustentável, independentemente do tamanho da propriedade.
Para o futuro, especialistas acreditam que a digitalização será fundamental para o agronegócio brasileiro. A integração de dados de solo, clima, máquinas e plantas permitirá decisões mais rápidas e precisas, transformando a produção rural. “A capacidade de transformar dados em decisões mais precisas será crucial para a sustentabilidade e produtividade da agricultura”, conclui Silva.











